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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Relembrando as origens do problema

Para quem não leu os primeiros posts que fiz, há uns meses atrás, basicamente o motivo pelo qual eu tive vaginismo, segundo a minha terapeuta, foi o facto de querer sempre ser a filha perfeita, sempre muito responsável, e que tinha pavor de fazer alguma coisa que achasse que os meus pais não iam gostar.
E, como também já contei, comecei a namorar (com o meu namorado actual) muito nova (ainda não tinha 13 anos), e os meus pais não gostaram mesmo nada da ideia. E, à custa disso, passei alguns momentos bem difíceis.
Sofri muito em ver todas as minhas amigas, com 15 e 16 anos, a levar os namorados às suas casas e a ter um namoro aceite por toda a gente, enquanto eu tinha que mentir aos meus quando ia ter com o meu namorado. Era bem doloroso. Porque, infelizmente, ao contrário da maioria dos adolescentes (e que inveja que eu tenho deles!!), custava-me (e continua a custar, só que agora já não preciso fazê-lo), eu tinha muita dificuldade em mentir aos meus pais, ficava a me sentir a pior pessoa do mundo!
Para perceberem melhor do que é que estou a falar, vou vos contar algumas das situações específicas por que eu passava.
Nos primeiros tempos de namoro, andávamos em escolas bem distantes e, basicamente, viamo-nos uma vez por mês, ao domingo, altura em que iamos ao cinema mas nunca sozinhos (como é que eu ia dizer a minha mãe que ia ao cinema sozinha com ele??impossível, ela não ia deixar!), e, mesmo quando dizia que os nossos primos iam connosco, ela deixava-me ir, mas respondia com uma expressão que nem vos conto...já não dizer que eu passava os dois dias antes de ter que pedir para sair com ele cheia de nervoso miudinho. Ou seja, basicamente, para poder passar umas horinhas com o meu namorado, passava quase uma semana antes de sofrimento.
Depois começámos a nos ver num dia de semana, o dia que eu tinha explicação à tarde, e isto só quando a minha mãe não me podia ir buscar. Aí eu tinha que ir de transportes públicos, e lá ficava uma hora e meia (sim, uma hora meia apenas!!) com ele, porque depois tinha treinos. E o dia em que a minha mãe perguntou porque é que eu não passava em casa antes de ir para os treinos??Ui, tremi que nem varas verdes. Qualquer adolescente normal ignoraria completamente aquilo, e seguiria a sua vidinha em paz. Mas eu não era, de facto, normal.
Quando passava na televisão regional imagens de jardins, no intervalo do telejornal, eu tremia com medo de eventualmente aparecer alguma imagem minha a passear com o meu namorado, chegava a evitar jantar à hora que passavam essas imagens, com esperança que, se eu alguma vez aparecesse nessas imagens, os meus pais não me dissessem nada e guardassem o assunto para eles. Se eu estivesse a ver as imagens com eles, ia ser muito constrangedor.
Depois, quando tinhamos à volta de 15/16 anos, fomos para escolas próximas e, ao fim de um ano e meio de isso acontecer, eu decidi ir a casa do meu namorado. No dia em que decidi, pensei que tinha que pedir autorização à minha mãe. E telefonei-lhe. Só que ela não atendeu. E então, pela primeira vez na minha vida, decidi fazer alguma coisa às escondidas dos meus pais. E sabem do pior? O trabalho da minha mãe fica bem pertinho da casa dele...podem imaginar então o meu pânico. Eu tentava ir a horas que achava que a minha mãe não estava no trabalho, mas ela às vezes tinha reuniões inesperadas, por isso era sempre um terror. E, quando eu apanhava o autocarro ao pé da casa dele para voltar para a minha, parecia uma criminosa, sempre a olhar para trás, para ver se o carro dos meus pais não vinha atrás do autocarro, porque se os meus pais me vissem a sair numa paragem diferente da que eu costumava sair quando voltava da escola...
Na altura das férias, como não tinha escola, sabem o que eu fazia para poder ir a casa dele?? Apanhava o autocarro quase até ao pé da minha escola (porque, mesmo ao pé de casa, não tinha coragem de ir para a paragem que dava para a casa dele) e, depois, voltava, noutro autocarro, para trás, para ir para a casa dele, isto só para não ser apanhada na paragem pelos meus pais. Basicamente demorava uma hora ou mais a chegar a casa dele, quando podia ir directamente, demorando dez minutos.
Não quero que pensem que os meus pais são horríveis. Porque não são mesmo. São duas pessoas fantásticas, que admiro imenso, e que têm um amor um pelo outro que é o amor mais bonito que já vi na minha vida. A sério. Em termos de casal, tenho em casa o melhor exemplo que poderia ter. Mas eles quiseram proteger-me demasiado, e com isso fizeram-me sofrer. Eu sei que o objectivo não era me criar o pânico que criaram. Eu sei que grande parte da culpa também é minha, por ser tão infantil e medrosa, porque em 90% (pelo menos) dos casos de adolescentes nesta situação, eles continuam fazendo a sua vida às escondidas sem se preocupar minimamente se os pais gostam ou deixam de gostar. Mas, infelizmente, eu não consegui ser uma adolescente normal, e isso saíu-me bem caro...
Decidi fazer este post antes de vos contar a conversa com a minha mãe, para perceberem melhor o sentido das coisas. Provavelmente foi um post cansativo, mas era para ficarem inteiradas da situação (e peço desculpas a quem já tinha lido o que fiz há algum tempo e que diz muita coisa parecida, mas tenho várias leitoras recentes). E espero que não tenham ficado a pensar mal dos meus pais. Porque é como costumo dizer, eu posso dizer "mal" das pessoas que amo mas mais ninguém pode :p, não é assim?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Para comemorar as 200 visitas ao meu blog, resolvi dar-lhe uma nova imagem :) (mas continuamos com o cor de rosa para não perder o seu lado sempre muito feminino, assim como o problema que nos afecta a todas...)! Já estava um pouco cansada da outra imagem, confesso... Agora vou ver se ela me anima a me despachar mais rápido das mil e uma coisas que tenho para fazer, para poder vir vos chatear mais um bocadinho com a minha história.
Até breve queridas leitoras (prometo que vou tentar ser mesmo muito breve!)!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A primeira consulta na ginecologista depois da cura

Olá!
Pois é, sobrevivi à consulta com a ginecologista :)!
Antes de vos contar como foi, e para ficarem completamente inteiradas da situação (isto porque já contei num post antigo como foi a primeira consulta com esta ginecologista, mas já foi há algum tempo), vou só recordar basicamente como foi a minha consulta há quatro anos com ela. Para dizer a verdade foram duas. Na primeira fui lá, disse que não conseguia ter relações sexuais, ela disse-me que isso era mais comum do que eu pensava, e receitou-me apenas um lubrificante. E disse-me que não queria receitar algo mais "poderoso", que foi o que me veio a receitar na semana seguinte, quando eu voltei lá, desesperada, porque estava na minha terra de férias e já ia voltar para Lisboa e depois eram mais uns meses sem poder consultá-la e sem poder resolver o meu problema. E ela lá me receitou uns cremes com efeitos anestégicos (acho que é assim que se diz) e disse-me, subtilmente, que se aquilo não funcionasse que seria melhor eu consultar um colega dela (ou algo do género, que eu interpretei como sendo um psicólogo).
E então eu fui embora, e, como já todos sabem, o creme não fez absolutamente nada. Aqueles cremes servem para quem tenha dores na penetração...nós, mulheres com vaginismo, não temos propriamente dores nem penetração, nós impedimos a penetração e isso causa-nos dores, é diferente...
Só queria dizer mais um pormenor antes de vos contar a minha consulta. A minha ginecologista é super competente, é um amor de pessoa, e, sinceramente, eu acho mesmo que os ginecologistas não têm propriamente culpa de não nos conseguirem ajudar, acho que o mal está mesmo no curso que eles tiram, que devia ter uma disciplina vocacionada para estes problemas porque, apesar de serem psicológicos, nós no início não fazemos ideia disso, e é a eles que recorremos antes de decidir (eventualmente) consultar um psicólogo.
Mas então vamos ao que interessa. Então, eu entrei no consultório e ela perguntou-me se eu já estava melhor do meu problema e se os "cremezinhos" tinham ajudado...a primeira coisa que me ocorreu foi "caramba, ela lembra-se!". Confesso que ainda pensei por uns momentos "será que a minha mãe lhe contou de algum problema meu que eu não me estou a recordar agora??ou ela lembra-se mesmo da consulta que tivemos há quatro anos?", mas não, ela lembrava-se mesmo.
E então eu disse-lhe que o assunto já estava resolvido, e, da maneira que ela perguntou, não tive coragem de dizer propriamente "e os "cremezinhos" não serviram para nada".
E então ela começa-me a contar do género "eu tenho imensa gente que vem comigo e que não consegue, inclusive mulheres que tinham uma vida sexual normal e depois mudam de parceiro e deixam de conseguir, mas elas não têm nada a ver com o teu caso (do género, era normal tu teres dores porque eras virgem e eras "apertadinha" mas elas já não se compreende tão bem....). Pois é, o que é que se responde a estas coisas? Que, mesmo que as senhoras tivessem 50 cm de largura na vagina, que não conseguiriam na mesma, porque este problema é PSICOLÓGICO???
Mas, esperem, quando eu, a medo, disse (não devia ter dito!!), "chama-se vaginismo, eu não sei se sabe o que é" (pois, eu sei que não disse da melhor maneira...parece que estava a tentar ensinar à médica o trabalho dela) mas ela respondeu (suspense........) "sim, eu sei, eu vi logo que era isso!".
Moral da história, meninas:
Ela até pode saber que há vaginismo. Afinal de contas, com tantos anos de carreira, já lhe passaram pelas "mãos" muitas pessoas nesta situação. O que ela não sabe é que não dá para curar com cremes. O máximo que eu consegui foi dizer, para aí umas três vezes, subtilmente, que me curei com uma psicóloga, e que achava que sem ela não teria conseguido, porque é um problema psicológico relacionado com um medo incontrolável da dor. A ver se ela aconselha psicólogo às mulheres na mesma situação. Mas ela também me disse nessa altura que é complicado mandar as pessoas para um psicólogo...eu até percebo isso, embora da minha parte não tenha tabus nenhuns com psiólogos nem psiquiatras...eles existem é para ajudar pessoas, normais ou menos normais...afinal de contas quem é que é verdadeiramente normal? Quem é que decidiu qual é o padrão de "normalidade"? E ela também me disse, depois, que aqui (na minha terra) não há pessoa especializadas nesses assuntos, mas por acaso a minha psicóloga já me disse que já há uma mulher, e eu disse isso à ginecologista.
Ah, já agora quanto à parte da consulta propriamente dita, eu sinceramente não sei se a senhora pôs só o dedo ou se pôs mesmo o aparelhinho, porque aquilo foi desconfortável (lá isso foi!! e bastante!!) mas não me pareceu frio e um aparelho que "abre" quando está lá dentro, que era o que eu estava à espera. Só sei que, pelo menos, na primeira vez (foram duas "inserções" de objectos que eu não sei o que foram :p) ela pôs o dedo e disse que eu estava muito melhor, que não tinha comparação. Ela devia querer dizer que eu já estava muito mais descontraída, penso eu, embora não me tenha sentido assim tãao descontraída. Mas enfim. Já passou. E, já agora, a minha saúde sexual está bem e recomenda-se e, como disse ela "agora tenho é que aproveitar o tempo perdido e compensar o rapaz..." :)!
P.S. Como este post já ficou maior do que eu esperava, no próximo vou-vos contar a minha conversa no carro com a minha mãe quando vinhamos para casa...pois é meninas, contei (quase) tudo!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vou à ginecologista (medo!)

Olá minha gente!
Hoje vim só vos dizer que estou uma semaninha de (pseudo) férias na minha terra (tenho que estudar para um exame que tenho para a semana mas vamos lá ver se dá tempo para tudo...) e então vou, finalmente, fazer uma visitinha à ginecologista que, segundo a minha terapeuta, já deveria ter sidoo feita há uns mesinhos. Isto porque ela me disse que eu deveria ter ido quando já tivesse penetração há dois meses ou três (não convinha antes porque eu poderia ainda me sentir desconfortável, por causa do vaginismo) e já lá vão quase 7 (é verdade, depois de amanhã faz 7 meses que me senti uma mulher a 100%...comemoro cada mês, parece uma tontice não parece? mas é muita alegria...).
Mas então lá vou eu amanhã, à mesma ginecologista que há uns anos não conseguiu me dizer que eu tinha vaginismo (coitada, não tem culpa, os médicos não aprendem isso no curso deles, que não acho normal, só os psicólogos, e não todos...enfim!) e vou eu ver se está tudo bem (e me estrear com aquele aparelhinho horroroso que "graças" ao meu vaginismo ainda desconheço (que medo, já não tenho mais desculpas...será que posso dizer que ainda tenho medo daquela coisa horrorosa ou já não tenho desculpa? Pois, já não devo ter...) e vou me encher de coragem para lhe contar do problema que eu tive, a ver se ela consegue ajudar as mulheres da minha terra...
Depois conto-vos como correu a conversa (se eu tiver coragem...só de pensar já fico nervosa, mas quero que me chateiem muito se eu voltar aqui a dizer que não consegui, ok? Eu tenho mesmo que contar para ajudar as outras mulheres!) e como correu a minha primeira vez com aquele aparelho horrível que eles metem lá para dentro do...enfim, do dito cujo! Desejem-me sorte!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais uns detalhes sobre o tratamento

Olá a todos!

Estava agora a fazer um comentário no blog de uma amiga e de repente passaram-me inúmeras coisas pela cabeça, algumas das quais acho que nunca referi aqui antes...Então hoje vou deixar uma espécie de "notas soltas", sem muita conexão, mas que podem ajudar, principalmente àquelas mulheres que estão a fazer terapia e estão a desesperar à espera de verem resultados que demoram mais a aparecer do que gostariam...

Então, antes de mais, devo dizer-vos que não foi nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira consulta (e eu ia às consultas de duas em duas semanas, portanto façam as continhas...) que eu comecei a fazer algum tipo de exercício de teor sexual, e antes desses ainda tive que vir para casa e me ver ao espelho (qual adolescente em plena puberdade...) que, confesso, faziam-me sentir um bocado...sei lá...infantil? É que, quer dizer, já tinha 21/22 anos, não era propriamente uma criança, e sentia-me meia ridicula de estar agora ali a descobrir o meu corpo.

Mas vou fazer uma confissão da qual tenho alguma vergonha, admito... É que, em muito devido ao facto de as minhas (muitas) tentativas de ter penetração frustradas, eu acho que, até começar a terapia, eu realmente não sabia bem onde era lá o buraquito...isto porque para mim parecia-me tudo uma grande parede impenetrável, e então eu pensava "tem que ser mais para a frente, é impossível aquilo ter algum espaço lá dentro, não pode ser ali!!" e então realmente a médica nao estava assim tão "maluca" ao mandar-me para casa, mesmo com 21 anos, "estudar" o meu corpo... Por favor, a quem tenha sentido o mesmo, agradecia que me confessassem aqui (podem pôr um comentário anónimo)...é sempre bom saber que não eramos a única pessoa adulta à face da terra a não ter certezas acerca da localização do nosso...enfim do dito cujo (que eu nunca sei bem como chamar...devia arranjar um nome carinhoso para ele...ideias, alguém tem alguma?? =) ).

Então e o que mais é que eu me tinha lembrado para vos dizer?

Ah, já me lembro. As situações em que a terapeuta manda fazer exercícios dos quais nós duvidamos com todas as nossas forças que vão ter algum efeito no nosso tratamento...

Minhas amigas, eu tive que estar, no consultório e depois em casa várias vezes, durante cinco minutos com os olhos fechados apenas concentrada na minha...perna!! Sim, na minha perna!! Julgo que isto tinha um objectivo do género eu depois conseguir focar na vagina e descontraí-la mas, muito sinceramente, ou depois a médica achou que já nao era necessário continuar com aquilo ou, se teve o efeito que ela pretendia, eu não o percebi bem (até porque, confesso, eu não conseguia estar cinco minutos a pensar na minha perna!!). Cheguei a uma altura em que deixava esses exercícios para fazer quando fossse para a cama, antes de dormir...já estão a imaginar o resultado, não estão? Então para quem não estiver, aconselho este exercício para quem tenha insónias...vão ver como adormecem antes de chegar ao segundo minuto =) (ah não acreditam? então experimentem!! comigo resultava que era uma maravilha...o sono, nao a concentraçao...vocês perceberam :p). E ainda tive que fazer outros exercícios parecidos, do género, contrair diversas partes do corpo seguidas umas às outras...passo a explicar melhor. Era do tipo: fechar os olhos, concentrar-me no meu corpo e começar a concentrar-me no rosto e depois contrai-lo, depois focar numa mão e contraí-la, e assim sucessivamente. Se teve efeito no meu tratamento? Mais uma vez não sei, não faço mesmo ideia, mas mal também não fez, e então lá ia eu fazendo. Mas também chegou a uma altura que eu deixava para fazer na cama, com o mesmo resultado que os anteriores :p.

Mas a ideia que eu quero deixar é que, mesmo que vos pareça que os exercícios nao sao os mais adequados, não devemos esquecer que os terapeutas estiveram anos a estudar para nos ajudar...alguma coisa eles devem ter aprendido, certo? E também, qual é a nossa alternativa em vez de confiar neles? Pois, não é melhor, não, e como tal, o melhor, na minha opinião, é mesmo confiar neles e fazer o que nos mandam...

O facto é que, entre exercícios que me pareceram bem adequados e outros não tão adequados, eu cheguei lá, ao fim de 9 meses. Ainda há um ano olhava para um tampão cheia de medo e agora ando aqui feliz da vida! Por isso nada de desistir das terapias e quem ainda não se decidiu a começar a terapia aconselho que o faça!
Beijos a todas!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Vamos lá então experimentar a minha "grande" (pequena) aquisição...

Olá!
No último post contei que fui comprar um dildo anal para tentar inseri-lo, na vagina (isto para quem eventualmente esteja a ler este post sem ter conhecimento dos restantes), sem acreditar muito que fosse conseguir.
No mesmo dia em que o comprei, cheguei a casa, lavei-o com sabão e água a escaldar, e lá fui para a banheira acompanhada de um gel lubrificante.
Acreditem ou não (bendito gel lubrificante, é que ajuda mesmo MUITO!!)...entrou praticamente todo!! E querem saber qual foi o grau de dor? Do que me recordo, zero! Mesmo! Fiquei tão admirada! Mas é bem feita, para eu (aliás, nós todas!!) aprendermos que somos capazes de mais do que aquilo que julgamos, para acreditarmos nas nossas capacidades para a cura!
Foi um acto completamente mecanizado, nem por um segundo tive intenção de tornar aquele momento prazeroso. O objectivo era mesmo conseguir inserir aquela...coisa dentro de mim. E consegui tirar e pôr, com muita facilidade! Iupi!!!!
E foi tão fácil inserir o dildo, que foi basicamente a primeira e última vez que toquei nele. E daí a uns dias (poucos) lá voltei eu à sex shop. Mas o resto conto-vos numa próxima vez...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A famosa ida "às compras"

Olá a todos!
Eu sei que tenho andado ausente, mas como já sabem estou em altura de exames (fiz o segundo hoje...já só faltam dois!) mas antes do merecido descanso vou então deixar-vos com mais umas palavrinhas.
Então a sex shop... Pois bem, não conhecia nenhuma aqui em Lisboa (nem em parte nenhuma do mundo)...sim, confesso, sou um "bocadinho" puritana em certas coisas, não é por acaso que tive vaginismo, mas também quando uma pessoa tem um problema como estes a última coisa que lhe apetece é entrar numa loja e dar de caras com um monte de pénis (a maioria deles gigantes, que, acreditem, assusta MUITO uma pessoa que sofre de vaginismo!) e lembrar-se que não pode comprar nem 1/3 dos fenomenais brinquedos que lá estão porque...enfim...porque é uma pessoa "diferente". Mas não, daquela vez eu ia mesmo para comprar um desses "brinquedos" (que para mim ia servir de tudo menos de brinquedo mas adiante...).
E por falar em ser puritana, acho que não cheguei a contar que quando a médica me mandou comprar um dildo tive que chegar a casa e confirmar com o meu namorado do que é que ela estava a falar...pois é, não me lembro, até esse dia, de ter ouvido esse nome (sim, eu sei, não sou normal!).
Mas então toca a procurar na internet "sex shops em Lisboa" e pedir às melhores amigas do mundo para irem comigo (ainda nao tinha mencionado as minhas amigas, "peças" fundamentais na minha cura, por um motivo simples, mas isso deixo para falar num próximo post) e lá fomos nós às compras...
Que centro comercial manhoso, ainda por cima a loja era a última de todas, ficava lá bem no fundo, ou seja, toda a gente que nos viu passar já sabia ao que iamos (sim, eu sei, isso não importa! mas acreditem, eu naquela altura estava com a mania da perseguição, completamente!). Mas então lá entrámos. Estava lá um velhote muito entretido a investigar o que é que havia de filmes porno (na altura confesso que fiquei meia...digamos...impressionada, mas eu quero é que as pessoas sejam felizes, desde que não façam mal a ninguém para isso!). E então começámos a analisar a oferta...de facto tinha para todos os gostos, só não tinha grande coisa para quem não gostasse de "coisos" grandes (pois claro está, quem é que está interessado num vibrador fininho? imagino que não tenha lá grande piada...sim, imagino, porque ainda nao o usei para divertimento, náo é que tivesse problema mas prontos, não aconteceu).
E lá fui eu para os dildos anais, claro, os únicos com uma dimensão ponderável, dada a minha situação. As minhas amigas disseram logo que era muito pequeninho, que devia levar outro, mas na minha cabeça só pensava "tu nem esse consegues quanto mais! nao queiras dar um passo maior que a perna! elas não sabem o que é que tu sentes, tu sabes que nao consegues!". E então pronto, lá comprei o dildo anal. Não sem antes ter que me explicar à senhora vendedora porque é que lá estava e, principalmente, porque é que queria um "coiso" fininho...é verdade, eu não resisti em me explicar à mulher, acham normal? Só conseguia pensar "caraças, uma pessoa aqui que mal consegue enfiar um dedo na dita cuja e a mulher a pensar que sou uma depravada"...era mais do que eu conseguia aguentar (parva!!!!). Lá está, é por estas e outras que tive vaginismo...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mais um "olá"...e uma novidade!

Tenho um exame na faculdade amanhã por isso, por mais que não me apeteça estudar, também não consigo raciocinar direito para continuar a vos contar a minha luta contra o vaginismo...tenho que canalizar todos os esforços mentais para o exame!
Mas, antes de recomeçar no meu estudo (este intervalinho já vai longo, ia só jantar mas entretanto já vi um episodio duma série no pc, já fui ver as novidades no facebook...pois, tenho que voltar JÁ a enfiar a cabeça nos livros)....como ia a dizer, aproveito para vos dar uma novidade: ontem conduzi em Lisboa sozinha pela primeira vez!!! Tudo bem, foi uma voltinha pequenina aqui ao pé de casa, mas me aguardem...qualquer dia ninguém me pára!!
Eu, ao contrário do comum dos mortais, tive que gastar uns trocos e uns mesitos valentes na psicóloga para fazer duas das coisas que mais seres humanos no mundo fazem sem qualquer dificuldade: sexo e conduzir. É a vida meus amigos, cada um tem os seus obstáculos, e há quem tenha bem piores...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Só para dizer um "Olá"!

Já tenho quatro seguidores, muito bom =)! Cada vez escrevo com mais entusiasmo, e às vezes com pena ao pensar que daqui a algum tempo vou acabar o propósito que me levou a escrever o blog, que foi contar a minha experiência antes e durante o tratamento da vaginismo. Mas vou tentar continuar sempre a dar notícias e a vos dar força a todas as que precisem para se curarem, como eu!
Neste momento estou com pouco tempo para escrever, por isso vim só aqui deixar um "olá". Isto de ser altura de exames tem que se lhe diga...mas logo que tenha um tempinho livre volto para vos chatear mais um bocadinho =)!
Beijinhos a todos

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tabu

Neste momento a minha história já é conhecida por mais "algumas" pessoas, por causa da reportagem que já vos tinha falado. Se tenho receio de ser identificada? Tenho, um pouco. Quem é que não tem receio de que os seus conhecidos saibam os seus segredos mais profundos, ainda mais quando o que está em causa é aquilo que de mais íntimo pode haver na vida de um ser humano?
Vergonha não tenho nenhuma. Absolutamente nenhuma. Angústias também não. Já tive muitas, mas neste momento, graças a Deus (e a muito esforço da minha parte) estou curada. Tenho a vida sexual dita "normal".
Só por ter o tema "sexo" no título a reportagem foi muito mais lida que qualquer outra...é natural. Este tema interessa a toda a gente. Quanto mais tabus são os temas mais interesse despertam nas pessoas. Só tenho pena que o vaginismo também seja um tabu. Que não seja tão falado e conhecido como, por exemplo, o cancro da mama. Porque não? Como é óbvio, são dois problemas completamente diferentes.
Mas o vaginismo impede uma vida sexual normal! Não a impede por completo mas, acreditem, é muito frustrante não poder realizar as fantasias mais banais do mundo (que toda a gente tem) por limitações nossas, que adoraríamos não ter, mas que são imensamente difíceis de ultrapassar.
Por tudo isto tenho medo. Medo que quem me conhece descubra o único segredo que tive a esconder durante grande parte da minha vida. Que descubra que a minha vida sexual era diferente das suas. Que descubra que os muitos anos de namoro que eu tinha (e tenho) não eram apenas pautados por momentos bons. Que o meu relacionamento passou por várias crises por causa do vaginismo. Ou então, quem sabe, que descubram até que têm mais coisas em comum comigo do que pensavam (quem sabe...nós não fazemos ideia quais as pessoas que nos rodeiam que sofrem do mesmo mal, porque cruzando-nos com tanta gente no nosso dia-a-dia, com certeza já estivemos com alguém com problemas bem mais parecidos aos nossos do que alguma vez podemos pensar).
Por agora é tudo. Fica só o desabafo. Estava a precisar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A fase do tampão e do dedo (mais informações)

Estava a pensar e lembrei-me que anotava algumas etapas do meu tratamento na minha agenda, embora tivesse que ser com códigos e, portanto, de forma muito discreta, não fosse alguém passar os olhos e deparar-se com expressões do género "introduzir o dedo na vagina", "colocar o tampão", "fazer os exercícios de kegel", enfim!
Mas então, eu comecei as consultas em Outubro de 2008 e, nas anotações de Janeiro de 2009, já tenho as indicações de trabalho para casa de tentar introduzir o tampão. Devo ter começado os exercícios mesmo relacionados com a sexualidade por volta dessa altura. No mês de Janeiro tenho uma anotação a dizer que tentei introduzir o tampão durante dois dias diferentes e que consegui à volta de três centímetros. Em Fevereiro piorou, tentei duas vezes e consegui introduzir (ainda) um pouco menos. Realmente a etapa do tampão foi a mais difícil! Porque foi a primeira introdução de alguma coisa que fiz. Porque a partir do momento que se consegue essa primeira etapa, que é sem dúvida a mais difícil, entramos no esquema e até ficamos entusiasmadas com as próximas etapas. Pelo menos eu delirava quando tinha êxito nas minhas tentativas! Em Março continuei com as tentativas de introduzir o tampão e só em Maio é que consegui pôr todo. Depois dessa vez que pus todo, passou a ser muito fácil.
Portanto, foram cinco meses esta etapa mais difícil, isto também porque eu só tentava mesmo quando estava menstruada. E, nos mesmos vezes em que ia tentar com o tampão, também comecei a tentar introduzir um dedo e, depois, dois.
Digo-vos uma coisa honestamente. Ainda hoje, estando completamente curada, não consigo introduzir dois dedos ao mesmo tempo. Se não estiver excitada ou não puser lubrificante, não consigo mesmo, e não é por estar a contrair.
Portanto, os conselhos mais importantes que vos dou para a fase do tampao e do dedo, para serem bem sucedidas o mais rapidamente possível, é o seguinte: quando puserem o tampão tentem de preferência com aplicador, é porque sem ele é mais difícil de deslizar. Embora eu tenha conseguido a primeira vez sem aplicador mas custa mais. E, quando tentarem introduzir um dedo, ponham bastante lubrificante no dedo e à volta da vagina. Ajuda mesmo muito!
Bem, neste momento acho que já vos contei todas as fases essenciais até à tentativa com os penis de borracha. No próximo post vou-vos contar a minha aventura na sex shop e mais algumas coisas... Até lá!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Vaginismo numa novela ou num filme ajudava muita gente!

A minha lista de mensagens no mail do blog já começa a ficar longa...a cada e-mail que recebo sinto-me mais útil! Ainda agora acabei de ter uma conversa com uma das muitas mulheres que sofre deste mal e, mais uma vez, tentei passar uma mensagem hiper positiva e dar os melhores conselhos que consigo! Se soubessem como é gratificante ler um mero "obrigada" ou ouvir que a minha ajuda foi útil... Já que eu passei por este sofrimento horrível, quero fazer com que ele não tenha sido "em vão", e ajudar todas as pessoas que puder!
Estava agora a ver uma cena duma telenovela em que um casal de jovens (crianças, para aí 15, 16 anos) começaram a se beijar e pimba...lá foram para a cama e, como sempre, foi perfeito! Nos filmes e nas telenovelas, as primeiras vezes são sempre maravilhosas, nunca corre mal! É uma festa!!
Eu pergunto-me: será que nunca um realizador vai se lembrar de projectar uma cena mais real?? Sim, porque, mesmo para quem não sofre de vaginismo, a primeira vez NÃO É maravilhosa! Não é! Nem de perto nem de longe! Sim, eu chorei de alegria depois da minha primeira vez, eu senti que foi maravilhoso (mas é mentira, não foi, como é óbvio!), mas isto porque esperei seis anos por esse momento e porque foi a primeira vez em que não empurrei o meu namorado na hora da penetração e deixei, finalmente, ele entrar dentro de mim.
Mas, mais do que retratar uma primeira vez não maravilhosa, será que nunca uma telenovela, um filme, vai relatar um caso de vaginismo? Será que ainda nenhuma escritora, nenhuma realizadora, nenhum marido de uma destas pessoas, passou por esta situação? É que, mais do que vocês que lêem estas palavras sem estarem ainda curadas (porque vocês já sabem o que têm e quando procurarem tratamento e o seguirem à risca vão mesmo conseguir se curar!), preocupam-me os milhares de pessoas que sofrem de vaginismo e não fazem a mais pequena ideia do que isso é, porque nunca ouviram falar, porque nunca o próprio ginecologista lhes conseguiu diagnosticar...têm noção de que há mulheres com mais azar ainda do que nós a quem nunca será dada a oportunidade de saber que não são um monstro sozinho no mundo e que, por esse motivo, NUNCA se vão curar?? Porque a cura requer exercícios específicos, terapia...enfim...nós temos que saber que sofremos deste mal para nos curarmos. Isto a mim assusta-me bastante!
Às vezes ponho-me a olhar para as pessoas na rua e a pensar "será que esta mulher sofre de vaginismo?". Ok, este parece um pensamento um bocado obcessivo, mas eu sei o que sofri e desde que sei que afinal não sou a única mas antes uma de imensas mulheres, só me apetece gritar ao mundo o que é o vaginismo e que têm que ir procurar ajuda num terapeuta!
Bem, e assim termino este post, na esperança de que um dia alguma alma se lembre de passar o vaginismo numa telenovela ou num filme (uma novela do Manuel Carlos era o ideial não era??).

domingo, 3 de janeiro de 2010

Os exercícios com o tampão

Como vos disse no último post, não sei bem precisar o que é que comecei a tentar inserir primeiro, se o dedo ou o tampão, mas acho que foi o tampão. Comprei uma caixa de minis, sem aplicador (erro!) e esperei que me viesse o período. Lembro-me bem do primeiro dia em que tentei. Não consegui. Foi muito desconfortável. Doía. Isto, obviamente, porque eu não estava descontraída. Confesso-vos que eu chegava a pensar que não sabia verdadeiramente onde é que era para enfiar o tampão, porque da maneira que era difícil metê-lo, parecia impossível de acreditar que aquele fosse o sítio certo. A propósito desta conversa lembrei-me de mais um pormenor. Às vezes é difícil lembrar-me de todos os passos do tratamento, porque foram muitos, e alguns deles já foram há um ano. Mas antes das tentativas de inserir qualquer coisa, a médica mandou-me observar bem com um espelho como é que era bem "aquilo", para me conhecer melhor a mim própria. Que me lembre, só o tinha feito há alguns anos atrás, na primeira e única vez que tentei pôr um tampão para ir à praia. Claro que não consegui, mas aí pensei que era muito nova e que era super normal, e que muitas raparigas virgens não conseguem. Provavelmente já era o vaginismo, mas eu não fazia a mais pequena ideia, e deixei passar completamente, sem pensar muito no assunto.
Mas então, no dia que tentei pôr o tampão pela primeira vez (durante o tratamento), fi-la na casa de banho, com um espelho (nas primeiras vezes foi sempre com espelho, acho que ajuda) e com uma perna levantada, em cima do tampo da sanita. Meninas, não tentem com tampões sem aplicador. É muito mais difícil. O aplicador desliza que é uma maravilha. Quando vocês descontrairem um bocadinho só não vão sentir nada! Eu não sei se tivesse tentado a primeira vez logo com o aplicador se teria conseguido logo, muito provavelmente não teria conseguido à mesma. Mas não desanimei. De todo. Obviamente fiquei triste. E até tentei com alguma insistência. Mas depois desisti por esse dia. também não vale a pena estar ali horas em sofrimento. Mais vale tentar todos os dias um bocadinho. E, se não foi à segunda, foi à terceira vez que consegui pô-lo, pelo menos metade. Foi uma festa! Fiquei mesmo contente!
As primeiras vezes que consegui era um bocadinho desconfortável, e nas primeiras mesmo nem sempre entrava todo. Mas aos pouquinhos consegui. Em dois meses (porque só tentava quando tinha o período) essa etapa já estava ultrapassada...e rumo à próxima! Ah, só mais um pormenor. Depois de conseguir pôr o tampão todo, a médica disse-me para andar com ele cinco minutos antes de tirar. para nos adaptarmos e percebermos que ter aquilo é a mesma coisa que não ter nada. Mesmo!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Exercícios...muitos exercícios!

Depois de tantos anos a pedir insistentemente nos desejos para o ano novo a minha cura do vaginismo (embora, confesso, a cada ano que passava já acreditava cada vez menos que iria conseguir), eis que este ano esse desejo não vai ser pedido... Lembro-me de ter comentado com a minha tia, na passagem de 2008 para 2009, que pediu sempre a mesma coisa e que ela nunca se concretizava...pois é meninas, eu estava enganada! A cura do vaginismo, afinal, é um objectivo concretizável! E, acreditem nas minhas palavras, às vezes bem mais fácil de concretizar que outras situações com que nos debatemos mas às quais só damos mais importância depois de curar o vaginismo. Isto também porque o ser humano é assim, dominado por uma insatisfação constante. Nós somos assim. Não vale a pena tentar evitar. E eu resolvi o vaginismo, sim, sou uma mulher muito feliz e sinto-me muito realizada por isso, é verdade, mas é também verdade que, desde que ultrapassei esse obstáculo, surgiram outros, e outros, que já existiam, tomaram outra dimensão.
Neste momento um deles é conduzir. Sim, porque eu estou sempre a aconselhar todas as mulheres a fazerem os exercícios para a cura do vaginismo todos os dias se possível, mas eu também devia conduzir todos os dias se possível e não o faço (nem de longe nem de perto).
Isto para dizer que, apesar de não sofrer mais com o vaginismo e às vezes até dar por mim a pensar "caramba, como é que levei tanto tempo para conseguir isto que não é afinal o bicho de sete cabeças como eu me convenci a mim própria?", sei que não é fácil. É bem mais fácil evitar os exercícios do que enfrentar a frustração cada vez que não conseguimos frutos.
Mas ouçam o que vos digo. Se as minhas tentativas de conduzir correrem para o torto, posso bater noutro carro, posso ter prejuízos monetários grandes, e posso até me ferir (que cenário incentivante!!). Se as vossas tentativas de colocar um tampão, ou o dedo, ou um dildo, falharem, sabem o que conseguiram? Conseguiram estar a uma tentativa mais próximas da cura!
E digo-vos de coração: Eu tive receio de começar a pôr tampões, e o dedo, e o dildo...mas não evitei! A sério que não evitei! Tinha mais medo da hora "h" em que teria que tentar mesmo a sério com o meu namorado. Isto porque a vontade de me livrar deste mal era gigante!! E não pensem que as tentativas foram sempre bem sucedidas! Não mesmo! Mas também vos digo outra coisa, e mais uma vez falo-vos com toda a minha sinceridade...custou-me muito mais a começar a inserir um dedo e um tampão, sozinha, dentro de mim, do que me custou o dildo e a penetração com o meu namorado! Juro!! Isto porque o que custa mais é o início! É o conseguirmos relaxar os músculos da vagina para deixar entrar seja o que for. Porque, a partir daí, e nós sabemos que o nosso corpo está feito para sair um bébé de dentro de nós, portanto aí é sempre a evoluir no caminho da cura...
Às vezes tenho receio que os meus posts sejam demasiado longos e eu vos aborreça...Isto porque também me ponho a divagar um pedaço. Mas é mais forte do que eu. Espero não ser muito chata.
Ah, já me ia esquecendo, nunca mais me lembrei disto! E às vezes tenho dificuldades em me lembrar da ordem cronológica pela qual fiz os vários exercícios durante o tratamento. Mas, se não estou em erro, ainda antes de começar a tentar inserir os dedos e os tampões, tive como trabalho de casa fazer os exercícios de kegel. Para quem não sabe, é um exercício físico que tem como objectivo geral fortalecer os músculos da zona da vagina. Como é que são feitos? Contraindo e descontraindo esses músculos várias vezes seguidas (a minha médica disse que para serem bem feitos não podemos estar a contrair ao mesmo tempo nem os músculos na barriga nem o anûs, temos que focar apenas nos músculos vaginais. E tinha que fazê-los à volta de 20 vezes seguidas (se não me engano), todos os dias. De início era para tentar quando fizesse xixi, mas só uma vez ou duas (porque isso não é bom para a bexiga). Isto ajuda-nos a aprender a controlar o músculo que tão teimosamente insistimos em contrair na hora errada.
Por agora vou ficar por aqui, na tentativa de não fazer um post tão longo que ninguém tenha coragem de começar sequer a ler...
Desejo a todas um 2010 marcado pela cura do vaginismo e por muita felicidade!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Contar ou não contar...

Ando numa indecisão, que tenho que resolver rápido porque depois volto para Lisboa (onde vivo a maior parte dos meus dias nos últimos anos) e aí já é tarde. A questão é que preciso de ir à ginecologista, porque já se passou quase meio ano desde que iniciei a minha vida sexual por completo e agora convém saber se está tudo bem comigo. E a minha dúvida é se consulto a médica que conhece o vaginismo e que eu consultei há uns meses (quando já ia à psicóloga e fui só mesmo confirmar o que já tinha a certeza, ou seja, que sofria de vaginismo) ou se consulto a que consultei há uns anos, que é a ginecologista de praticamente todas as mulheres da minha família, e de quem eu gosto muito. Sou-vos sincera. Os dois principais motivos que me levam a querer consultar esta última são os seguintes: conheço-a há muito tempo, e sinto-me à vontade com ela enquanto médica, e, como ela foi muito querida para mim há uns anos atrás quando lá fui dizer que não conseguia a penetração mas não me soube dizer que podia ser vaginismo (infelizmente ainda é um problema muito desconhecido...), queria contar-lhe do meu caso, isto na esperança de poder ajudar as mulheres da minha terra que a consultem. Isso faria-me muito feliz. O senão é que não consigo ir consultá-la sem dizer à minha mãe (não me sinto bem...) e aí ou ela me vai perguntar se "aquilo" já está resolvido, ou eu vou sentir necessidade de contar, e não se se tenho coragem. Por um lado eu quero, mas por outro... E pior que isto vai ser quando sair a reportagem sobre o vaginismo para a qual eu dei o meu contributo através duma entrevista, vai me custar muito não poder mandar a minha mãe ir a correr comprar o jornal...
Tenho 22 anos. A minha mãe está absolutamente convencida que tenho uma vida sexual activa e "normal" (já me deu a entender isso). Mas não sabe aquilo por que eu passei. Vocês contavam? E consultavam a ginecologista da família para lhe contar também?
Tenho que ser rápida a me decidir.
Quanto a vocês, que possam estar a ler estas linhas ainda passando pelo sofrimento de não conseguir ter relações sexuais com penetração, não desanimem! Eu consegui! Vocês também conseguem!
Não me canso de dizer! O meu vaginismo era primário, ou seja, sofri deste mal desde sempre, nunca consegui nem 1 centímetro de penetração em todas as tentativas que fazia com o meu namorado, deixei de tentar durante anos, e isto na altura parecia um erro (eu sentia que não devia fugir das tentativas mas era mais forte que eu), mas infelizmente a verdade, que eu só vim a saber depois, é que para mulheres como nós que sofram de vaginismo, tentar uma vez e tentar 100 é a mesma coisa, porque sem ajuda, sem muitos exercícios a preceder as tentativas de penetração, não vai resultar MESMO, por maior que seja a vontade. Pois é, não vale a pena "bater mais no ceguinho". Para quem ainda não procurou ajuda e não começou nos exercícios, o meu conselho é parar já de tentar penetração porque se sofrerem mesmo de vaginismo, só vão aumentar a vossa frustração, porque não vão, mesmo, conseguir :(!
Mas este último parágrafo só para dizer que o meu caso era extremo, tinha as maiores dificuldades possíveis e imaginárias na penetração, era um acontecimento completamente impossível nas circunstâncias em que eu me encontrava (eu era capaz de jurar que se sofresse de uma tentativa de violação que não ia ser bem sucedida, dada a minha resistência...), e EU CONSEGUI!
Com empenho e força de vontade, todos os casos têm cura! Força!!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Vaginismo...porquê?

Minhas queridas leitoras (agora que tenho duas seguidoras oficiais até escrevo com mais entusiasmo :)!), pois é, já estou de volta para continuar a vos contar mais um pouco daquilo que passei nos últimos tempos. Já consegui falar ao todo com quatro mulheres que sofrem deste problema, aos poucos estou conseguindo chegar a mais gente, e isso deixa-me muito feliz!
De vez em quando penso naquela coisa de cada pessoa ter um "dom", ou uma coisa em especial em que é boa, e nunca consegui encontrar nenhuma para mim...não tenho jeito nenhum para desenhar, não tenho jeito para decoração, até gosto de cantar mas a minha voz não é propriamente a de um rouxinol, jeito para dançar também não tenho muito (embora goste muito), ainda nem sequer trabalho, por isso nem isso faz com que eu sinta que tenho o meu papel neste mundo (não sei se estou a fazer passar a minha ideia...), mas neste momento, depois de ter passado pelo vaginismo, sinto-me um pouquinho útil, pelo menos para fazer o papel que gostava que alguém tivesse feito por mim há uns meses atrás...percebem o que quero dizer? Dar apoio, contar a minha experiência, dar força a todas as mulheres que estejam neste momento a sofrer com isto...
Mas adiante...
No início do meu tratamento propriamente dito com a psicóloga, nós não começámos logo com a parte sexual. Falávamos sempre nisso, claro, até para tentar chegar à explicação do motivo que me tinha levado a sofrer daquele problema, mas a parte prática começou pelas outras coisas, todas (supostamente) mais fáceis de resolver. Digo supostamente porque é engraçado que o vaginismo foi das primeiras que resolvi (quando eu tinha certeza que seria a mais difícil de todas de tratar). Mas vou-me explicar melhor.
Numa das primeiras consultas, o meu trabalho de casa foi identificar as situações do meu dia-a-dia que me causavam ansiedade, isto porque, como vocês sabem, o vaginismo é um problema do foro psicológico, e então é por aí que passa a sua cura. E eu lá comecei a anotar quais eram as situações que me punham ansiosa. Mesmo sem ter que passar por elas de novo não era difícil dizer: conduzir (a pior de todas depois do vaginismo (isto o que eu achava antes de me curar do vaginismo, porque a parte da condução continua por resolver...), andar em certas ruas não tão movimentadas ou que eu não conhecia tão bem, andar de transportes públicos depois de uma certa hora, e falar em público. Basicamente eram essas, na altura, as situações que me causavam ansiedade. E como é que se curam todas elas (o vaginismo, inclusive)? Fazendo-as, a todas, frequentemente. Claro que começando sempre da actividade aparentemente mais fácil, nas circunstâncias mais fáceis, até ao passo maior da verdadeira tentativa de penetração (no caso do vaginismo). E começámos então a resolvê-las, da mais fácil para a mais difícil. Entretanto, iamos falamos sobre a minha família, a minha relação com o meu namorado, enfim, a minha vida em geral.
O primeiro objectivo das consultas era responder à pergunta: porque é que eu tenho vaginismo?
Isto porque o meu caso não é daqueles flagrantes. Não sofri nenhuma tentativa de violação, nunca sequer ouvi duas pessoas a fazer sexo (quanto mais ver) durante toda a minha infância que me pudesse ter traumatizado, os meus pais não são dos mais tradicionais até...esperaram pelo casamento para ter relações sexuais, mas isso era comum na altura deles. Mas então, porque é que eu sofria de vaginismo?
Como já contei no início do meu blog (em setembro), apesar de os meus pais não serem muitos rígidos nem tradicionais, comecei a namorar aos 12 anos (cedo...) e sempre fui uma menina muito certinha, e como os meus pais não gostaram nada que eu tivesse começado a namorar tão cedo, eu tive que me encontrar com o meu namorado muitas vezes às escondidas. Sim, eu sei, isso é hiper comum nos adolescentes! Só que eu ficava com um peso na consciência muito grande e, mais do que isso (tenho que ser honesta!!) o meu maior pânico era ser encontrada na rua pelos meus pais quando estivesse com ele, ou que eles descobrissem que eu tinha ido a casa dele (isso era o terror maior da minha vida, sem dúvida!!). Isto porque nas vezes em que eu estava com ele com o conhecimento dos meus pais, as coisas não eram nada fáceis. Tinha que ouvir muitos comentários desagradáveis, que muitas vezes faziam com que eu não desfrutasse do momento como merecia...
E basicamente foi por aqui que o problema apareceu, ao que parece...

Memórias (sempre) muito presentes...

Desde que dei a entrevista de que vos falei há uma semana, e talvez também porque tenho tido mais algum tempo livre que faz com que os meus pensamentos andem a vaguear mais livremente, tenho voltado a pensar muito em tudo o que passei com o vaginismo. Tenho procurado informação na internet sobre o problema, blogs de mulheres que sofram o que eu sofri...enfim, tenho recuperado muitas memórias de tudo aquilo que passei. Porque, por mais que o vaginismo já faça parte do meu passado, foram seis anos da minha vida, foram momentos de sofrimento que já ninguém me tira, foram grandes angústias, grandes momentos de pânico, de frustração, de desilusão, de uma sensação de impotência gigante! De querer e não conseguir! De pensar "eu sei como é que se faz, sei exactamente como é que se processa, mas na hora "h" o meu cérebro não deixa o corpo funcionar naturalmente...porquê? E porquê eu? Que mal é que eu fiz?".
E sou-vos sincera, às vezes até evito pensar muito no assunto, porque tenho sempre um receio pequenino de que um dia tudo volte ao que era dantes...que eu, de repente, tenha um novo bloqueio e não consiga outra vez! Isso passa-me pela cabeça tantas vezes! Já não tenho medo quando eu e o meu namorado iniciamos o momento da penetração, de todo, mas sou muito franca, às vezes, dependendo da posição em que estamos (é sempre mais complicado para mim, e penso que para a generalidade das mulheres que passam por este problema, ficar por baixo, isto porque dessa forma não temos o controlo da situação), eu demoro alguns segundos a ceder, é estranho. E como isso aconteceu várias vezes, durante as nossas primeiras vezes, começámos a tentar ao início sempre comigo por cima, para evitar o problema, e assim as coisas correm sempre melhor.
E também, por exemplo, se por algum motivo acontece de não fazermos amor (sabe-me TÃO bem escrever esta expressão, porque por mais que os nossos momentos antes da minha cura fossem íntimos, e eram, como é óbvio, eu nunca consegui chamar "fazer amor" àquilo que nós faziamos...não sentia que aquilo era o acto completo de fazer amor, mesmo...) durante mais de uma semana seguida, aumenta um pouquinho o medo que a próxima vez não corra da melhor maneira. Mas estes pequenos medos, perto dos terrores pelos quais passei durante tanto tempo, são muito muito fáceis de enfrentar (afinal, quem enfrentou seis anos de vaginismo enfrenta qualquer problema sexual que possa vir a surgir, certo?? pelo menos assim o espero).
A propósito do que acabei de dizer acerca da expressão "fazer amor", lembrei-me de uma outra palavra, mas a esta ganhei aversão mesmo...e, se consigo escrevê-la (acreditem ou não, agora que pensei nela deu-me um arrepio mesmo físico no corpo), já não é tão fácil para mim pronunciá-la, por mais estúpido que isto vos possa parecer. Mas, acreditem, não suporto pronunciar a palavra "virgem"!Ganhei uma aversão a esta palavra, a ser virgem, não tinha o mínimo orgulho nisso, aliás, tinha já vergonha!!
Espero não estar a entristecer as possíveis leitoras que sofram deste mal só porque já falo no passado. Não! Eu tenho bem presente tudo o que passei, e acho que por mais anos que viva vou sentir-me sempre parte deste problema, mas agora já enquanto pessoa com uma força muito grande para ultrapassar sempre qualquer obstáculo e para ajudar o maior número de pessoas que puder! Quero ser para quem precisar aquela pessoa que eu queria que tivesse existido para mim há uns tempos atrás...quero que todas saibam que eu achava, mesmo, que nunca me ia curar, e agora estou aqui, feliz da vida, curada, e pronta para tudo!
Bem, desta vez não adiantei muito no desenvolvimento da minha história, mas neste momento tenho que ir. Logo que possa continuarei a minha história. Quero contá-la até ao fim e ajudar o maior número de pessoas possível, nem que seja só para vos dizer que vocês também conseguem e que não estão sozinhas!
No próximo post irei contar mais um pouco do meu tratamento na psicóloga, e em tudo o que senti enquanto ele decorreu.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ele(s)

Pois é, andei ausente nos últimos tempos mas já expliquei o porquê. Mas vou então contar mais um bocadinho da minha história, do meu longo sofrimento que, graças a Deus (e a muita persistência da minha parte) terminou há já cinco meses e meio...
Mas então acabei o último post relativo à minha história a contar que, na minha segunda consulta, fui com o meu namorado. A doutora perguntou-lhe o que é que ele achava do tratamento, de eu ter decidido procurar ajuda, enfim, de toda aquela situação! E ele disse que, até ter descoberto, ao mesmo tempo que eu, que eu sofria de um problema do qual nenhum de nós tinha absolutamente culpa nenhuma e que não dependia apenas da minha força de vontade (entenda-se, sem ajuda de um profissional, como é óbvio!) resolvê-lo, passaram-lhe pela cabeça pensamentos muito negativos. E não é para menos. Para uma pessoa que desconhece a existência de tal problema, que durante toda a adolescência (e início da vida adulta) ouviu contar mil e uma histórias de amigos e amigas que perderam a virgindade das formas mais variadas possível (algumas inclusive não correm assim tão bem, e nós sempre tivemos absoluta consciência disso, mas a nossa não corria nem bem nem mal, e esse era o grande problema...), não era fácil evitar determinados pensamentos do género "será que ela gosta mesmo de mim?", "será que ela quer mesmo que a primeira vez dela seja comigo?", entre muitos outros.
E aproveito este momento para dizer que, apesar de todos os defeitos dele (que os tem, como qualquer outro ser humano), apesar de não ter feito muita força para eu procurar ajuda, apesar de nunca me ter pressionado a resolvermos o problema, ou seja, apesar de ter deixado as coisas nas minhas mãos, tenho a agradecer eternamente o facto de, durante quase 10 anos de namoro "incompleto", ele nunca ter desistido de mim, nunca se ter cansado de esperar e não ter ido antecipar a experiência com outra pessoa...porque, alguns podem me achar ingénua, mas eu acho que todas as pessoas merecem credibilidade até provarem que não são dignos dela. E o meu namorado não é nenhum santo, e sei que muitas vezes esteve à beira da saturação, aliás, tivemos momentos muito próximos do fim, mas acabávamos por decidir tentar mais uma vez...
Se eu soubesse neste momento que tudo isto que eu dou por garantido, que o meu namorado esperou mesmo por mim, que eu fui a primeira dele como ele foi o meu, afinal não era verdade...o que mais me magoaria, muito sinceramente, seria ele não me ter contado mais cedo. Porque acho que todas as pessoas têm as suas fraquezas, e algumas, dependendo do contexto, podem ter perdão, mas o pior é a mentira, é esconder daquela pessoa com quem partilhamos tudo, que afinal a nossa relação não é bem aquilo que parece... Se, durante todos estes anos de sofrimento, eu tivesse sabido de uma traição, não vos sei dizer como teria reagido. Mas muito provavelmente não me sentiria no direito de ficar tão magoada como ficaria hoje, altura em que a nossa vida sexual já está mais completa com a minha cura.
O que é insuportável, repugnante mesmo, são os homens que têm relações de anos com mulheres que sofrem de vaginismo e nunca lhes ocorre que algo está mal, que não é apenas uma "tontice" qualquer da mulher, que não consegue porque na verdade não quer. Acham que nos dá prazer fazer sofrer a pessoa que amamos? Acham que é bom pensar TODOS os dias que, mais dia menos dia, podemos ser traídas, porque se isso já acontece com milhares de casais que têm relações sexuais "completas", o que não será com os nossos companheiros, que nem isso têm? Acham que é bom pensar que se vocês, homens, se fartarem verdadeiramente da situação, podem sempre dar meia volta e ir às vossas vidas, mas o vaginismo vai ficar sempre connosco? Acham que é bom para nós, mulheres, que (pelo menos 90 e muito %) temos o sonho tão intenso de ser mães um dia, que isso poderá nunca acontecer???
Acreditem, é preciso estar na pele para saber verdadeiramente o que é este sofrimento. Por mais anos que eu viva, nunca me vou esquecer do que sofri. A minha adolescência, a partir do momento em decidi que queria deixar de ser virgem (seis anos antes de concretizar essa vontade), foi manchada por esse peso que eu carreguei todos estes anos. Na minha viagem de finalistas, como podem imaginar, ouvi as histórias mais malucas possível de "este que dormiu com aquela" e do casal de namorados que preferiu ficar em casa do que ir para a discoteca para ter uma grande noite de amor...enquanto que no meu quarto, eu e o meu namorado, cheios de amor um pelo outro, o máximo que conseguimos foram duas ou três tentativas falhadas, super frustantes...naquela semana até fui persistente, porque não era hábito ter tantas tentativas seguidas (como podem imaginar, cada fracasso é seguido de uma grande carga emocional negativa, é HORRÍVEL!!)! E então quando cheguei à faculdade, e principalmente depois de dizer que já namorava há alguns anos, ninguém sequer perguntava se eu era virgem ou não, partiam logo do pressuposto que, como seria óbvio, eu já não era há muito tempo, e aquelas conversas muito frequentes entre amigos eram muito difíceis de evitar...enfim, um verdadeiro terror!
Por agora vou ficar por aqui, e prometo que vou tentar continuar a minha história logo que possa (espero que não leve muito tempo...).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Novidades

Este post é curto. Só para dizer que o facto de nao ter recebido muito feedback me desmotivou a continuar a contar a minha historia. porque o meu objectivo é apenas ajudar. porque, graças a Deus, ja estou curada (mas como eu consegui, todas conseguem)!
Por isso a quem venha visitar este blog e queira ouvir algumas palavras de conforto ou queira saber mais sobre como foi o meu tratamento, digam qualquer coisa! Ou enviem-me um email (vag.psi@gmail.com). Gostava mesmo de poder ajudar pessoas que passem pelo que eu passei.
Já agora aproveito para dizer que nos últimos dias voltei a pensar muito nos tempos dificeis que passei quando tinha vaginismo. isto porque um jornal cá de portugal ligou para a minha psicologa porque estao a fazer uma reportagem sobre vaginismo e queriam que ela lhes indicasse pessoas que sofressem deste problema. Hoje mesmo eu fui dar a entrevista. Estava nervosa, mas ainda bem que fui!! E oxala ajude alguem! É tudo o que quero. Nao ha nada como saber que alguem passou pelo mesmoe superou...era tudo o que eu queria ouvir ha uns meses atras...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A primeira consulta de terapia sexual

Foi através da net que descobri aquela que veio a ser a minha psicóloga. Não conhecia nenhum médico especialista em psicologia na área da sexualidade, e ainda por cima li por diversas ocasiões que, mesmo tratando-se desses profissionais, nem todos se dedicam ao tratamento do vaginismo. Provavelmente por ser um problema não muito usual. Mas encontrei um artigo sobre a disfunção e lá enviei um mail para a médica para saber da disponibilidade dela para a marcação de uma consulta (um telefonema teria sido mais rápido, mas o mail seria melhor para eu eventualmente ignorá-lo e continuar a fugir ao tratamento). Mas então uns dias mais tarde liguei a marcar a consulta. Sinceramente, eu queria ir à consulta naquela semana (porque estava em pânico com a possibilidade de perder o meu namorado sem nunca termos tido uma relação sexual a 100%) mas também tinha uma ligeira esperança (não sei sequer se posso chamá-la mesmo de esperança) de que não existissem vagas para os próximos dias porque a ideia de ir, finalmente, à consulta, não me deixava mais calma do que a ideia de perder o meu namorado. Ainda por cima nem lhe poderia pedir para vir comigo, dadas as circunstâncias. Quando me disseram ao telefone que tinham vaga para a sexta feira dessa semana as minhas pernas começaram a tremer. Mas ficou marcada. Agora não havia volta a dar. Sim, porque eu não sou pessoa de fugir aos compromissos que assumo, por muito custosos que sejam alguns deles.

E lá fui eu, na tal sexta feira, à minha primeira consulta. Os momentos que a antecederam foram de um nervosismo terrível! Ainda por cima numa semana em que eu e o meu namorado não nos falávamos. Eu estava há uma semana a dormir na casa de uma amiga, sentindo tremendamente a falta dele, principalmente quando chegava à hora de me deitar. Isso tudo aliado ao facto de o meu namorado ser também o meu confidente, que partilha todas as minhas alegrias e medos. E ele sem fazer a mínima ideia do que ia acontecer naquela tarde. Não foi nada fácil, mas eu não podia ficar mais tempo sem tratamento!

E eis que chegou o momento em que me sentei na cadeira à frente da psicóloga e lhe disse basicamente o seguinte “Eu não sei se estou no sítio certo, mas acho que tenho vaginismo”. E então ela quis saber o porquê de eu achar aquilo e se já tinha feito exame ginecológico para descartar a possibilidade de ser um problema físico. Aquela hora foi terrível para mim. Finalmente estava a contar a maior frustração da minha vida a um profissional. Não consegui evitar as lágrimas. Disse-lhe há quanto tempo estava a sofrer com aquilo, que não tinha procurado ajuda mais cedo com medo de não haver cura para o meu problema. E então ela explicou-me que havia cura, e sintetizou-me basicamente os passos em que iria consistir o tratamento. Confesso que fiquei um bocado assustada. Quando se está numa situação como aquela, é assustador imaginar que daí a uns tempos podemos estar a tentar enfiar objectos com um diâmetro impensável para caber dentro de nós. Assustador porque eu não cheguei ao consultório a achar que ia conseguir me curar. Não mesmo. Naquele momento, para mim, eu tinha o pior caso de vaginismo que já tinha existido no mundo e a cura era ainda uma mera esperança muito reduzida, muito mesmo. Tenho que admitir, naquele momento eu não acreditava na minha cura. Mas a médica também me disse que nunca iamos fazer nada para o qual eu não me sentisse preparada e que iamos passar por diversas fases, das quais só a última envolveria a sexualidade, pelo menos a parte da tentativa da penetração. Explicou-me também que não ia ser um processo rápido, que cada mulher leva o seu tempo mas que estava em causa um tratamento que não era propriamente rápido. Que poderia levar até um ano e alguns meses. Naquele momento eu disse que, depois do tempo todo que já tinha esperado, não era mais esse que me assustava.
Nesse dia falámos basicamente no que iria ser o tratamento e eu falei um pouco de mim. E ela pediu-me para, na próxima consulta, levar o meu namorado comigo. Eu também lhe expliquei que estávamos a viver um momento complicado na nossa relação mas que achava que ele poderia ir comigo da próxima vez. E então ficou acordado que as consultas seriam de duas em duas semanas e que, na próxima vez, eu não iria sozinha.