Olá a todas!
Vou só começar por responder à Daniela, que me perguntou porque é que eu entrei em pânico quando a minha médica me falou do tratamento. Então, isso aconteceu porque ela me disse que a parte final do tratamento consistiria em inserir dilatadores (do que me recordo, mas esperem, o mais grave não é isso...sim, digo grave porque no dia em que ouvimos falar pela primeira vez no tratamento, quando nos sentimos mais "fechadas" do que as portas de uma prisão, essa ideia não é muito animadora) e que isso em princípio teria sucesso mais rápido se fosse feito no consultório...sim, no consultório!! Imaginam agora o pânico de uma pessoa, com vaginismo, a se imaginar de pernas abertas no consultório a inserir dilatadores com um especialista??mau demais, não é?? Se bem que, caso aconteça a alguma de vocês, acredito que seja mais constrangedor do que propriamente difícil, porque a dificuldade é a mesma, mas acho que não perdem nada em tentar vocês primeiro se o médico sugerir essa ideia). Mas não foi nada disso que acabou por acontecer, graças a Deus (ou me portei bem ou ela mudou de ideias, não sei bem qual delas foi a verdadeira).
Mas então agora, e tentando não me alongar demasiado (como faço sempre!!sou uma chata!!) vou-vos resumir A conversa, em que disse à minha mãe que estava curada. Ao lerem as linhas que se seguem, tenham em conta que quando, há quatro anos, eu contei à minha mãe que não conseguia ter relações com penetração, nem eu nem ela sabíamos que existia o vaginismo e ela, igual a si própria, desvalorizou logo o problema.
Não me lembro da conversa toda, como é óbvio, por isso vou-vos contar as partes mais importantes que me lembro. Depois quero opiniões sinceras sobre se contei da melhor maneira ou não, pode ser meninas?
Então eu comecei por lhe dizer que a médica ainda se lembrava do meu caso, e disse que até compreendia isso, porque a minha situação não era propriamente normal. Ela não deu muita atenção ao que eu disse (ou fingiu não dar...lembrem-se, meninas, a minha mãe é perita em relativizar problemas, o que nem sempre é bom, acreditem!). Mas eu insisti na conversa, porque queria contar-lhe mais.
E então disse-lhe que o problema que tive era psicológico e perguntei se ela fazia ideia que existia aquele problema. E ela, nunca dando parte de fraca "existem problemas psicológicos de todo o tipo, é natural que também existam relacionados com isso". Ok, mas a minha questão era se ela fazia ideia da existência dele. Claro que não (era a resposta sincera que ela, e qualquer uma de nós há uns tempos, teria dado).
E depois expliquei-lhe que era um problema relacionado com ansiedade, e que era mais comum em pessoas com traumas sexuais, tipo violações. Mas que, como ela sabia, não era o meu caso. E não sei como é que a conversa chegou lá mas eu disse qualquer coisa que ela respondeu "Ih, não me digas que fui eu que causei isso!" e eu respondi "Alguma coisa causou!". E expliquei-lhe que, por ela não aceitar o meu namoro no início, eu sentia que era errado estar com ele, e que isso se prolongou até eu ser mais "velhinha" e começar a tentar as primeiras relações sexuais. Mas ela nunca se desarmou, disse que como era óbvio não me ia incentivar a ter relações sexuais com 12, 13 anos, quando eu comecei a namorar (mas quem é que falou nisso??) e que depois não me proibiu de nada (mentira!!). E que eu tinha que aprender a pensar pela minha cabeça o que é certo e o que é errado, que mesmo eu sou assim em tudo na vida, muito nervosinha e muito de prestar demasiada atenção a coisas que não devia e, depois, fico com problemas de ansiedade. Basicamente, meninas, a culpa é minha, não dela!! Foi isto que ela quis dizer com certeza. Enfim...
Confesso que às vezes ponho-me a pensar e chego à conclusão que ela tem o seu ponto de vista, porque não é normal um adolescente levar tão a sério e cumprir tão "à risca" os supostos desejos dos seus pais e ter tanto medo de desapontar. Não é! Num ponto ela tem razão, nós temos que pensar pelas nossas cabeças, não pela dos nossos pais. Os meus nunca me disseram que sexo antes do casamento (ou com determinada idade) era errado. Mas não aceitavam o meu namoro!
E para vocês verem como eu estou curada mas o trauma continua lá bem presente, no fim de semana passado os meus pais foram passá-lo fora (voltavam no dia seguinte de manhã), o meu irmão mais novo foi passar o fim de semana com a namorada (quando é que eu ia ter essa permissão com aquela idade?!) e eu não consegui ficar calma enquanto o meu namorado não voltou para casa dele (tinhamos ponderado de ele dormir lá na minha casa), porque eu não sentia que estivesse a fazer a coisa certa. Eu, que, aqui, em Lisboa, vivo com o meu namorado (com o conhecimento e apoio dos meus pais), vou a casa dos meus pais e faço isto!! Não sou normal!! Mas que é que posso fazer?? Infelizmente, há coisas que nunca mudam!
P.S. Só para dizer que, como acabei, finalmente, os meus exames, vou comemorar o dia dos namorados como deve ser e só volto no Sábado portanto até lá em princípio não vão ter notícias minhas. Beijos a todas!