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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quero notícias vossas!!

Só pra dizer aqui o "consultório" voltou a funcionar a 100% (acho que já deu para perceber...este é "só" o terceiro post que faço hoje...) e que tenho saudades dos vossos mails com perguntinhas para eu responder e com histórias para eu ler, ok meninas?
E para aquelas que me prometeram contar as cenas dos próximos capítulos e nunca mais deram um ar de sua graça (isto, claro, se passarem por cá e lerem isto!), agradecia novidades meninas!! Então anda uma pessoa para aqui a contar a sua vidinha toda e não recebe nada em troca :( ?? Quero mails meninas!! Tou a contar-vos a minha vidinha praticamente toda, mas também quero saber a vossa, combinado? Toca a escrever aqui à K.
P.S. Amor perfeito, Dani, Permitirme e C., as meninas têm se portado bem e então este post não é pra vocês, ok minhas queridas :)?

Mais umas comprinhas e mais uns exercícios

Este post é dedicado a quem já está farto das minhas lamentações. E, para compensar-vos da melhor maneira que posso (e como podem imaginar, não vai ser propriamente fácil falar deste assunto mas mais vale agora porque depois a situação pode ficar ainda mais dramática), vou continuar na história que vos interessa verdadeiramente.
Então, e no seguimento do post do dia 31 de Janeiro (ao tempo que isso já foi...), eu tinha vos contado que experimentei o dildo anal e que aquilo funcionou à primeira com a maior das facilidades. E então, voltei à sex shop uns dias depois para ir "reforçar o stock de brinquedos". Mais uma vez, fui acompanhada das minhas fiéis companheiras (adoro-vos minhas lindas! ainda não falei delas mas vou falar!! porque elas foram mesmo muito importantes para a minha luta!).
E então, cheguei lá e comecei a analisar a oferta. Para todos os gostos, sem dúvida, coisas inclusive que não sei para que é que servem (viva a imaginação!!) mas também já havia lá coisas capazes de caber em mim. Ah pois é! Ir a uma sex shop deixou de ser tão desinteressante quanto ver uma luta de boxe. Aliás, há uns meses seria bem menos frustrante ver uma luta de boxe (para as meninas que ainda possam preferir ver uma luta de boxe neste momento, nada de desanimar e toca a meter mãozinhas à obra, ok?).
E então não é que saí de lá com dois vibradores (que não foram usados para essa função) e ainda com um cartãozinho de cliente??? Eu bem que tinha insistido na semana anterior que não era preciso, mas a minha "amiga" Simone, entusiasmada pelo meu regresso, já me fez o cartãozinho sem perguntar nada, não fosse eu passar a comprar um vibrador por semana, quem sabe...e aquilo quando fazemos 100€ em compras até dá um desconto jeitoso!
Atenção, não estou a dizer que não volto lá, nem tenho nada contra! Pelo contrário (mas não vamos falar agora na minha actividade sexual para os próximos tempos, ok? Só a do passado!).
Claramente exagerei na dose! Cheia de orgulho do meu primeiro encontro com o dildo anal e sem querer voltar à loja nos próximos tempos, comprei um dildo de tamanho praticamente de um pénis dito "normal" e um exageradamente grande (onde é que eu tinha a cabeça minha gente???) e, ainda por cima, mole, que não ajuda lá muito...).
No mesmo dia em que fiz as minhas compras, experimentei logo o de tamanho "normal".
Mais uma vez, muita água quente em cima dele antes de tudo, muito lubrificante nele e à volta da vagina e toca a experimentar.
Meninas, não vou mentir nem vos vou iludir, até porque estamos a falar de uma pessoa com vaginismo já na fase em que está a experimentar um dildo do tamanho de muitos pénis reais. Eu consegui. À primeira. Sim, é verdade. Mas foi bem devagarinho porque aquilo doi um bocadinho. Afinal de contas tinha mesmo que doer, não é verdade? E, para quem defina a virgindade como a rompimento do hímen (eu prefiro uma versão mais romântica, confesso!), esse foi basicamente o dia em que perdi a minha virgindade.
Não senti isso, não sangrei, nada disso!
E vou aproveitar para vos explicar uma coisa que não me lembro se já vos disse mas que não acho demais recordar porque é importante, e que foi explicado pela minha terapeuta.
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é o rompimento do hímen que faz a mulher sangrar na primeira vez. Até porque o hímen é uma membrana bem fininha que NÃO DOI a romper. O que doi, meninas, é o atrito do pénis nas paredes da vagina, porque aquele é um espaço que nunca antes tinha sido tocado e por isso há essa dor na mulher.
O que quer dizer que, para nós, que passamos por um processo de dildos/dilatadores antes de estar com um homem, a nossa "perda de virgindade" é diferente da das outras mulheres...para melhor!! Isto em termos de dor física, ou seja, daquela dor que todas as mulheres sentem na primeira vez (e não a dor que as mulheres com vaginismo sentem, que é causada pela força que fazem).
Daí que, se vocês tentarem várias vezes (muitas!) com os dildos/dilatadores de tamanho do pénis várias vezes antes de estar com um homem, o vosso sofrimento vai ser basicamente com os dilatadores. Claro que na hora de tentar "de verdade" com um homem vai ter aquele nervoso extra, óbvio, mas nessa altura lembrem-se que já vão sentir outra segurança que não sentem agora...trust me ladies!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hoje não consigo ajudar. Hoje sou eu quem precisa de ajuda. Hoje, sinto um aperto gigante no meu coração. Hoje, o meu mundo, pelo menos aquele em que eu vivo há mais de 10 anos, está por um fio. Aliás, se eu fosse a pessoa corajosa e forte que gostava de ser, não estava sequer por um fio.
Mas não sou. Sou uma fraca. Sou masoquista. Sou alguém que tem que bater a porta numa etapa da sua vida mas que, ao invés disso, espera que lhe batam à porta e que lhe digam que foi só um pesadelo, que nada vai terminar, e que tudo pode ser perfeito, quando eu sei, já tive todas as provas, que não pode! Não pode!
O que é que se faz numa situação destas? Contentamo-nos com o que temos, que até nos faz feliz (e não é pouco), ou decidimos, finalmente, dar um novo rumo à nossa vida e confiar que vai aparecer a verdadeira felicidade plena?
Será que a felicidade "pela metade" é suficiente?? Mas, e se não houver mesmo felicidade maior que aquela que já temos? E se, ao tentarmos procurar uma felicidade plena que não existe, acabarmos perdendo o grande tesouro que tínhamos na nossa vida?
Eu sei que há pessoas à fome. Eu sei que há pessoas sem tecto. Eu sei que há pessoas verdadeiramente infelizes. Eu sei que tenho todos os ingredientes que podem fazer de mim uma pessoa realizada e feliz. Mas, hoje, para mim, a minha dor é maior do que a de toda a gente. Porque hoje pode ser o dia em que vou dar um ponto final a um longo caminho que venho traçando acompanhada praticamente desde que me conheço. E não sei se estou preparada para continuar a caminhada sozinha...
P.S. Peço desculpas pelo meu estado de espírito hoje, e por vir para aqui transmiti-lo. Se calhar amanhã chego aqui e arrependo-me e apago o texto. Mas neste momento precisava mesmo "despejar" para algum lado senão rebentava!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Eu, K., 23 anos, carta de condução há quase cinco anos

Peguei hoje num carro sozinha, pela primeira vez na minha vida (debaixo de chuva!!), e fui ao supermercado. Eu, pela primeira vez, peguei num carro para ser útil!! Já tinha pegado algumas vezes, mas sempre para fazer exercícios que a terapeuta mandava, aí não dava para sentir bem que estava sendo útil. E então ela disse-me que eu precisava mesmo de ir ao supermercado (que é o trajecto mais fácil para eu fazer por enquanto) para sentir que estava a fazer algo mais do que "exercícios terapeuticos". O carro ficou mal estacionado (confesso! :p), mas também não fugi de um estacionamento difícil!
Pois é meninas, estou orgulhosa de mim mesma!! Não vejo a hora de poder ir para onde me apetecer à hora que me apetecer sem ter que apanhar o autocarro ou pedir boleia ao meu namorado, já chega disso!!
Está quase :)!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Voltei!

Eu sei, foi uma viagem tão rápida que nem deu para sentirem saudades minhas :p, mas, acreditem meninas, eu tive saudades vossas, saudades do meu blog, que a cada dia que passa sinto ser mais útil para vocês...obrigada por me deixarem partilhar a minha história por vocês, obrigada por me fazerem sentir que o sofrimento pelo qual passei pode ter algo de positivo!!
A primeira coisa que fiz quando liguei o computador, depois de três dias sem internet (meu Deus, como é que já fomos capazes de viver sem internet??), foi ler os vossos comentários ao meu último post. E tenho algumas respostas a dar mas, com mais tempo, vou fazer tudo isso. Agora tenho muita coisa para pôr em ordem, mas não conseguia ir para a cama hoje sem vos dar um olá :)!
Beijos para todas!
P.S. A viagem foi óptima, o lugar era lindo, mas a verdade é que passeámos mais do que namorámos :p...sabem quando ficamos hospedadas numa casa de pessoas tão queridas (que não conhecíamos antes mas foram uns amores!) que sentimos que namorar lá é quase pecado? Foi essa a situação :p

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A conversa

Olá a todas!
Vou só começar por responder à Daniela, que me perguntou porque é que eu entrei em pânico quando a minha médica me falou do tratamento. Então, isso aconteceu porque ela me disse que a parte final do tratamento consistiria em inserir dilatadores (do que me recordo, mas esperem, o mais grave não é isso...sim, digo grave porque no dia em que ouvimos falar pela primeira vez no tratamento, quando nos sentimos mais "fechadas" do que as portas de uma prisão, essa ideia não é muito animadora) e que isso em princípio teria sucesso mais rápido se fosse feito no consultório...sim, no consultório!! Imaginam agora o pânico de uma pessoa, com vaginismo, a se imaginar de pernas abertas no consultório a inserir dilatadores com um especialista??mau demais, não é?? Se bem que, caso aconteça a alguma de vocês, acredito que seja mais constrangedor do que propriamente difícil, porque a dificuldade é a mesma, mas acho que não perdem nada em tentar vocês primeiro se o médico sugerir essa ideia). Mas não foi nada disso que acabou por acontecer, graças a Deus (ou me portei bem ou ela mudou de ideias, não sei bem qual delas foi a verdadeira).
Mas então agora, e tentando não me alongar demasiado (como faço sempre!!sou uma chata!!) vou-vos resumir A conversa, em que disse à minha mãe que estava curada. Ao lerem as linhas que se seguem, tenham em conta que quando, há quatro anos, eu contei à minha mãe que não conseguia ter relações com penetração, nem eu nem ela sabíamos que existia o vaginismo e ela, igual a si própria, desvalorizou logo o problema.
Não me lembro da conversa toda, como é óbvio, por isso vou-vos contar as partes mais importantes que me lembro. Depois quero opiniões sinceras sobre se contei da melhor maneira ou não, pode ser meninas?
Então eu comecei por lhe dizer que a médica ainda se lembrava do meu caso, e disse que até compreendia isso, porque a minha situação não era propriamente normal. Ela não deu muita atenção ao que eu disse (ou fingiu não dar...lembrem-se, meninas, a minha mãe é perita em relativizar problemas, o que nem sempre é bom, acreditem!). Mas eu insisti na conversa, porque queria contar-lhe mais.
E então disse-lhe que o problema que tive era psicológico e perguntei se ela fazia ideia que existia aquele problema. E ela, nunca dando parte de fraca "existem problemas psicológicos de todo o tipo, é natural que também existam relacionados com isso". Ok, mas a minha questão era se ela fazia ideia da existência dele. Claro que não (era a resposta sincera que ela, e qualquer uma de nós há uns tempos, teria dado).
E depois expliquei-lhe que era um problema relacionado com ansiedade, e que era mais comum em pessoas com traumas sexuais, tipo violações. Mas que, como ela sabia, não era o meu caso. E não sei como é que a conversa chegou lá mas eu disse qualquer coisa que ela respondeu "Ih, não me digas que fui eu que causei isso!" e eu respondi "Alguma coisa causou!". E expliquei-lhe que, por ela não aceitar o meu namoro no início, eu sentia que era errado estar com ele, e que isso se prolongou até eu ser mais "velhinha" e começar a tentar as primeiras relações sexuais. Mas ela nunca se desarmou, disse que como era óbvio não me ia incentivar a ter relações sexuais com 12, 13 anos, quando eu comecei a namorar (mas quem é que falou nisso??) e que depois não me proibiu de nada (mentira!!). E que eu tinha que aprender a pensar pela minha cabeça o que é certo e o que é errado, que mesmo eu sou assim em tudo na vida, muito nervosinha e muito de prestar demasiada atenção a coisas que não devia e, depois, fico com problemas de ansiedade. Basicamente, meninas, a culpa é minha, não dela!! Foi isto que ela quis dizer com certeza. Enfim...
Confesso que às vezes ponho-me a pensar e chego à conclusão que ela tem o seu ponto de vista, porque não é normal um adolescente levar tão a sério e cumprir tão "à risca" os supostos desejos dos seus pais e ter tanto medo de desapontar. Não é! Num ponto ela tem razão, nós temos que pensar pelas nossas cabeças, não pela dos nossos pais. Os meus nunca me disseram que sexo antes do casamento (ou com determinada idade) era errado. Mas não aceitavam o meu namoro!
E para vocês verem como eu estou curada mas o trauma continua lá bem presente, no fim de semana passado os meus pais foram passá-lo fora (voltavam no dia seguinte de manhã), o meu irmão mais novo foi passar o fim de semana com a namorada (quando é que eu ia ter essa permissão com aquela idade?!) e eu não consegui ficar calma enquanto o meu namorado não voltou para casa dele (tinhamos ponderado de ele dormir lá na minha casa), porque eu não sentia que estivesse a fazer a coisa certa. Eu, que, aqui, em Lisboa, vivo com o meu namorado (com o conhecimento e apoio dos meus pais), vou a casa dos meus pais e faço isto!! Não sou normal!! Mas que é que posso fazer?? Infelizmente, há coisas que nunca mudam!
P.S. Só para dizer que, como acabei, finalmente, os meus exames, vou comemorar o dia dos namorados como deve ser e só volto no Sábado portanto até lá em princípio não vão ter notícias minhas. Beijos a todas!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sofrimento antes e durante o tratamento

Ainda não é desta que vos vou contar a conversa com a minha mãe. Desculpem. É que acabei de ler um mail que recebi que tinha uma pergunta que, enquanto eu estava a respondê-la, pensei que tinha mesmo que escrever aquelas coisas aqui. Pensei que se há alguns anos atrás, eu tivesse lido aquelas palavras que eu escrevi há pouco, provavelmente (quem sabe??não custa tentar...) não teria demorado tanto tempo a procurar um terapeuta.
Então a pergunta que uma amiga me fez foi se eu sofri com o tratamento. E vou dizer-vos a responta que dei. Porque quero que todas vocês a saibam.
Eu sofri muito, muito, muito, mas foi ao longo do tempo eu que tinha vaginismo e não sabia que o meu problema tinha nome. E sofri depois que descobri que tinha vaginismo, mas antes de procurar ajuda. E sofri imenso também para começar a fazer a terapia. Pura e simplesmente não conseguia tomar essa decisão, essa iniciativa.
Agora, no tratamento não sofri propriamente. Claro que eu tinha que falar sobre os meus problemas, para além de fazer o tratamento propriamente dito, e claro que os exercícios não foram sempre fáceis, mas, acreditem, bendito o dia em que comecei a terapia!! A partir desse dia, o sofrimento começou a diminuir aos pouquinhos, porque a cada consulta que passava eu sentia-me mais confiante, mais próxima da cura.
No início do tratamento eu tinha pouca credibilidade na cura, muito sinceramente. E então quando ouvi a descrição do tratamento entrei em pânico! Mas a médica tinha mesmo razão quando disse que eu não ia fazer nada que eu não estivesse preparada. E desengane-se quem pensar "ok, então não vou fazer nada, porque nunca me vou sentir preparada!!"...não é que me senti mesmo??? Ainda nos vos contei o dia específico em que eu consegui a penetração mas, acreditem, eu sentia-me, mesmo, preparada. Mais do que a psicóloga ou o meu namorado, eu sabia que estava preparada!!
E quero vos dizer ainda mais uma coisa. O mais difícil de tudo, no que diz respeito aos exercícios sexuais, é o primeiro objecto que vocês conseguem, finalmente, inserir dentro de vocês (seja o dedo ou o tampão ou o que for). Porque esse é o que requer mais paciência, mais empenho, mais tentativas. É sem dúvida o mais difícil. Tanto é que o tampão só o consegui inserir depois de muitas tentativas, e isso já não aconteceu com o penis (depois que comecei o tratamento, claro!)...
Portanto, minhas amigas, temos que ter medo é de fugir do tratamento! Agora medo do tratamento? Medo da nossa cura?? Nada disso!!! E se, para conseguirmos, temos que ter muitas tentativas falhadas de inserir tampões e dedos, que assim seja, mas ao menos podemos dizer que tentamos!!