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quinta-feira, 25 de março de 2010

Fazer ou não fazer terapia (e algumas dicas)

Depois deste post recebo um e-mail de um terapeuta sexual qualquer a me mandar passear...mas tem que ser. É a vida (é por estas e por outras que a minha psicóloga nunca vai saber da existência deste blog, pelo menos no que depender de mim, claro está!)!
Vocês são testemunhas de como eu vos tenho tentado "enfiar" a todas em terapia...é ou não é verdade?? Se alguém discordar que se acuse (mas adianto desde já que estará a mentir portanto não vale a pena :p)!!
E não se assustem, não vou dizer que fui enganada pela minha terapeuta nem que terapia faz mal, nada disso!
Mas como qualquer profissão os senhores terapeutas também devem gostar de fazer o seu dinheirinho, e deve ser chato ver os pacientes a sair do consultório felizes da vida com a cura para não voltar a meter lá os pés, o que me leva a achar que alguns parece que gostam de fazer render o peixe...
É verdade que somos muitas mulheres com vaginismo, muitas mais do que já qualquer uma de nós já pensou um dia (sou capaz de apostar que toda a mulher que ler este post começou por achar que era única no mundo...mais uma vez quem não estiver de acordo que se acuse...). Mas também é verdade que a maioria não faz terapia, pelo que não me parece que o consultório deles esteja sempre cheio de gente (bem sei que há mais problemas sexuais para além do vaginismo, mas não vejo muito mais razões para uma mulher consultar um terapeuta deste género...).
Esta lenga-lenga toda para dizer que mudei a minha opinião, não baseada na minha experiência, porque como vocês sabem já estou curada há uns meses e sempre pensei de maneira diferente, mas passei a acreditar verdadeiramente que a cura é possível sem terapia. Provavelmente não tinha dito ainda isto com todas as letras às mulheres que não estavam a fazer terapia mas agora penso assim. Porquê?
Então porque um dos mails que recebi há pouco tempo e de que vos falei ontem foi de uma mulher que, efectivamente, fez os exercícios sozinha e acabou por conseguir. Mas atenção, há que seguir certas regras, e ela seguiu-as direitinho!!
Ou seja, esteve muito tempo a inserir os amiguinhos de vários tamanhos TODOS OS DIAS!! Eu tenho vos dito isto nos mails que vos escrevo, é tentar sempre!! Nada de intervalos! A cada dia que passa sem tentarmos metemos na cabeça que vai ficar mais difícil...é ou não é verdade?
E sabem que mais?? A primeira vez em que ela conseguiu com o parceiro NÃO lhe doeu!!Porquê? Também já disse isto a muitas de vocês por e-mail e acho que já escrevi aqui também...e não é muito dificil perceber...se os amiguinhos maiores têm praticamente o tamanho de um pénis normal, e se só as primeiras relações sexuais de uma mulher é que doem, se vocês fizerem várias vezes (muitas!) com amiguinhos primeiro, não tem como doer quando tentarem com o parceiro! A não ser que ainda esteja qualquer coisa mal na nossa cabecinha que precise de ser mais trabalhado...mas nessa altura da evolução não me parece (haverá excepções provavelmente, mas penso que poucas).
Quando comecei a terapia só pensava, cheia de terror, no momento em que a minha médica me ia mandar, efectivamente, tentar a penetração...PÂNICO!! TERROR!! NÃO QUERO!! Vou fugir da terapia e é já antes que seja tarde!!!
Não meninas!! Vocês vão MESMO se sentir preparadas, JURO! É uma questão matemática, então se o amiguinho já entrou tantas vezes com facilidade, porque é que não vai entrar uma coisa exactamente do mesmo tamanho? Resposta: vai entrar a "coisa" do mesmo tamanho!!!
Claro que há que ter em conta todos os "pormenores" que eu disse!! E, mais, a posição também é importante na hora de conseguir ou não conseguir com o parceiro!
Não sei se isto é geral, mas pelo menos comigo aconteceu e com mais uma pessoa com quem falei, e ao que a minha terapeuta me explicou é mais ou menos geral...é que nós, vagínicas, somos pessoas que gostam de ter o controlo das situações (é mau de se ouvir não é? parece que somos umas mandonas do pior :p), e isso também se reflecte na relação sexual e, por esse motivo, a coisa pode não funcionar muito bem nas primeiras vezes se ele ficar por cima! É verdade, pode parecer estranho, mas é mesmo assim! Não foi só na primeira vez, foram nas primeiras vezes em que já conseguiamos a penetração, ao início quando começávamos com ele por cima eu não descontraía totalmente, mas mal ele se sentava e eu ia para cima aquilo entrava! E para verem como está tudo na nossa cabecinha, se depois de fazer um pedacinho por cima depois mudássemos de posição para ficar ele por cima, já funcionava...porque o cérebro já tinha enviado a mensagem à amiguinha "ok, podes relaxar completamente que ela já conseguiu da outra maneira" :p! É tramada a nossa cabecinha...se é!
Bem meninas, acho que já foi informação a mais no mesmo post! Mas resumindo e concluindo, eu, K., não me teria curado nunca sem a minha terapeuta, mas quando eu a procurei nunca tinha consultado sites nem blogs de vaginismo (atenção que não estou para aqui armada em terapeuta, mas claro que ouvirmos sobre a experiência das outras pessoas ajuda!). Por isso acho que é melhor, para quem possa pagar e para quem veja, efectivamente, que o seu terapeuta parece fiável, que é sempre melhor fazer terapia. Mas para quem não consiga por algum motivo em especial, acho que seguindo os passinhos direitinhos também deve resultar. A partir do momento que conseguirem inserir qualquer coisa, nem que seja um cotonete, vocês pelo menos já conseguem se convencer que não são fechadas (como todas também já pensámos que eramos) e aí é uma questão de treino com objectos cada vez mais largos.
P.S. Dani, você também me serviu de inspiração, e muito para este post, porque acho que o seu terapeuta já devia estar bem mais avançado com a sua terapia, ainda mais quando você começou a terapia a conseguir que o seu marido entrasse um pouquinho...ele tem que saber mesmo que você já estava preparada para muito mais do que ele pensa (ou melhor, para o que ele lhe queria fazer acreditar) para ver se não faz perder tanto tempo às pessoas...não acha?

sábado, 20 de março de 2010

Pequenas grandes conquistas

Meninas,
Recebi o mail de uma amiga a falar da introdução do cotonete, que acho que nunca tinha falado aqui, isto porque eu não passei por essa fase, mas acho que é uma óptima maneira de começar para as que estejam mais receosas e, principalmente, para quem não esteja a ser acompanhada por um terapeuta. Porque não?
Depois disso, eu acho que o tampão/ob é mais fácil do que o dedo, mas nenhum dos dois é fácil meninas. Eu não pus o tampão à primeira, nem à segunda, nem à quinta vez. É preciso insistência, persistência, e nada de desânimos, porque um dia ele vai começar a entrar um bocadinho, na próxima vez ele vai entrar vai um pouquinho, e quando derem por vocês ele já está todo colocado. Mas se calhar eu também demorei tanto tempo a conseguir o tampão porque só tentava "naqueles" dias do mês, e sem lubrificante e, pior, com tampões sem aplicador, é um milhão de vezes mais difícil, não façam isso, mesmo que achem que é mais fácil porque parece que não fica tão grosso sem aplicador (mas isso acho que já vos tinha contado).
Quando a minha amiga falou na alegria que é conseguirmos, pela primeira vez, pôr uma coisa tão pequena quanto aquela dentro de nós...lembrei-me do dia em que passei a acreditar que eu, afinal, tinha um espacinho qualquer lá dentro, que afinal aquilo não era uma parede fechada...
Eu ainda não sabia que o meu problema se chamava vaginismo e que não era única no mundo.Foi com o tubinho (mínimo, quase ainda mais fino e mais curto que um cotonete) do anestésico (atenção, nada de comprarem nada disto que não tem efeito absolutamente nenhum em vagínicas!!) que a ginecologista me receitou para me resolver o problema de não conseguir ter penetração...quando aquele tubinho microscópico entrou dentro de mim eu fiz uma festa!! Lembro-me que estava no meu quarto com o meu namorado e contei-lhe, toda entusiasmada...na altura levei um balde de água fria em cima, porque ele saíu-se com uma do género "uma rapariga da tua idade nem sequer conhece o seu corpo"...pois é verdade, eu não conhecia mesmo!
Meninas, às vezes são as pequenas conquistas as que sabem melhor...a primeira vez que conseguimos introduzir alguma coisa, seja o que for, que nos faz acreditar que, tratando-se de umas paredes com tanta elasticidade, que daí a uns tempos vai mesmo entrar um pénis, porque o mais difícil para nós, no início, é mesmo acreditar que qualquer coisa, seja o que for, cabe lá dentro...não é mesmo?
Bom fim de semana a todas!!

terça-feira, 16 de março de 2010

Cheguei a casa, fui ao e-mail e tinha dois comentários de novas visitantes e um mail de alguém que também nunca me tinha escrito...se vocês soubessem como gosto de abrir aquele mail e ter alguma coisinha para ler!! Quanto mais mails e comentários recebo, mais me entusiasmo a vir para aqui escrever para vocês...é verdade que o vaginismo me trouxe muito sofrimento, mas de há uns meses para cá estou a ser compensada de tudo o que passei, tanto a nível sexual como com todas vocês que me lêem e que me escrevem... Há seis meses, quando comecei o blog, cheguei a achar que não ia ter visitantes, mas aos poucos vocês foram aparecendo e, hoje, já fazem parte da minha vida! É verdade, este blog já me deu a oportunidade de conhecer pessoas adoráveis, com as quais espero manter amizade e, quem sabe um dia, conhecer pessoalmente :).
Agora vou-vos contar mais um bocadinho da minha história, inspirada em algumas das sugestões da minha amiga Dani (sempre com ideias fantásticas, obrigada :) ).
Quando eu comecei a me exercitar com o amiguinho n.º 2, contei para a psicóloga, e disse-lhe que achava que já conseguiria fazer com o meu namorado. Afinal de contas, eles têm os dois praticamente o mesmo tamanho.
Naquela altura, os papéis tinham-se invertido. Naquele momento, eu confiava mais em mim do que ela (notava-se claramente). Perguntei-lhe se ela não achava que eu estava preparada. Ela respondeu um "sim" não muito entusiasta e disse para eu fazer da seguinte maneira: primeiro o meu namorado ia passar a me inserir o amiguinho n.º 2 quando estivessemos os dois na nossa intimidade. Mas isto estando eu deitada de barriga para baixo (para quem estiver a pensar que não deve dar jeito nenhum, concordo absolutamente!!), para não conseguir ver o que é que ele estava a meter lá para dentro (pois...) e, quando ele achasse que eu já não oferecia resistência ao amiguinho, metia o pénis (acho que nunca tinha escrito esta palavra na minha vida...já vos aconteceu se concentrarem de repente numa palavra qualquer e acharem que ela é engraçada quando apreciada ao pormenor? é o que estou achando neste momento :p). A ideia era eu não saber quando é que iria ser "o momento" da verdadeira penetração, para não oferecer resistência.
Ora bem meninas...a sugestão parece-me até ter lógica, é verdade. Mas eu não a concretizei. Apesar disso, pode ser que venha a servir para alguma de vocês um dia destes (quem sabe). Não concretizei por dois motivos. Primeiro, porque cheguei a um estado de ansiedade de querer resolver aquilo o mais rápido possível e de achar que já estava completamente preparada. Depois porque, por mais útil que me pareça a sugestão, a posição em que ela tem que ser executada não é, mesmo, das melhores. E eu não aconselho muito a tentarem nas primeiras vezes em tal posição porque dói!
Bem meninas, hoje vou ficar. Prometo que vou tentar voltar em breve. Beijos a todas

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mais umas comprinhas e mais uns exercícios

Este post é dedicado a quem já está farto das minhas lamentações. E, para compensar-vos da melhor maneira que posso (e como podem imaginar, não vai ser propriamente fácil falar deste assunto mas mais vale agora porque depois a situação pode ficar ainda mais dramática), vou continuar na história que vos interessa verdadeiramente.
Então, e no seguimento do post do dia 31 de Janeiro (ao tempo que isso já foi...), eu tinha vos contado que experimentei o dildo anal e que aquilo funcionou à primeira com a maior das facilidades. E então, voltei à sex shop uns dias depois para ir "reforçar o stock de brinquedos". Mais uma vez, fui acompanhada das minhas fiéis companheiras (adoro-vos minhas lindas! ainda não falei delas mas vou falar!! porque elas foram mesmo muito importantes para a minha luta!).
E então, cheguei lá e comecei a analisar a oferta. Para todos os gostos, sem dúvida, coisas inclusive que não sei para que é que servem (viva a imaginação!!) mas também já havia lá coisas capazes de caber em mim. Ah pois é! Ir a uma sex shop deixou de ser tão desinteressante quanto ver uma luta de boxe. Aliás, há uns meses seria bem menos frustrante ver uma luta de boxe (para as meninas que ainda possam preferir ver uma luta de boxe neste momento, nada de desanimar e toca a meter mãozinhas à obra, ok?).
E então não é que saí de lá com dois vibradores (que não foram usados para essa função) e ainda com um cartãozinho de cliente??? Eu bem que tinha insistido na semana anterior que não era preciso, mas a minha "amiga" Simone, entusiasmada pelo meu regresso, já me fez o cartãozinho sem perguntar nada, não fosse eu passar a comprar um vibrador por semana, quem sabe...e aquilo quando fazemos 100€ em compras até dá um desconto jeitoso!
Atenção, não estou a dizer que não volto lá, nem tenho nada contra! Pelo contrário (mas não vamos falar agora na minha actividade sexual para os próximos tempos, ok? Só a do passado!).
Claramente exagerei na dose! Cheia de orgulho do meu primeiro encontro com o dildo anal e sem querer voltar à loja nos próximos tempos, comprei um dildo de tamanho praticamente de um pénis dito "normal" e um exageradamente grande (onde é que eu tinha a cabeça minha gente???) e, ainda por cima, mole, que não ajuda lá muito...).
No mesmo dia em que fiz as minhas compras, experimentei logo o de tamanho "normal".
Mais uma vez, muita água quente em cima dele antes de tudo, muito lubrificante nele e à volta da vagina e toca a experimentar.
Meninas, não vou mentir nem vos vou iludir, até porque estamos a falar de uma pessoa com vaginismo já na fase em que está a experimentar um dildo do tamanho de muitos pénis reais. Eu consegui. À primeira. Sim, é verdade. Mas foi bem devagarinho porque aquilo doi um bocadinho. Afinal de contas tinha mesmo que doer, não é verdade? E, para quem defina a virgindade como a rompimento do hímen (eu prefiro uma versão mais romântica, confesso!), esse foi basicamente o dia em que perdi a minha virgindade.
Não senti isso, não sangrei, nada disso!
E vou aproveitar para vos explicar uma coisa que não me lembro se já vos disse mas que não acho demais recordar porque é importante, e que foi explicado pela minha terapeuta.
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é o rompimento do hímen que faz a mulher sangrar na primeira vez. Até porque o hímen é uma membrana bem fininha que NÃO DOI a romper. O que doi, meninas, é o atrito do pénis nas paredes da vagina, porque aquele é um espaço que nunca antes tinha sido tocado e por isso há essa dor na mulher.
O que quer dizer que, para nós, que passamos por um processo de dildos/dilatadores antes de estar com um homem, a nossa "perda de virgindade" é diferente da das outras mulheres...para melhor!! Isto em termos de dor física, ou seja, daquela dor que todas as mulheres sentem na primeira vez (e não a dor que as mulheres com vaginismo sentem, que é causada pela força que fazem).
Daí que, se vocês tentarem várias vezes (muitas!) com os dildos/dilatadores de tamanho do pénis várias vezes antes de estar com um homem, o vosso sofrimento vai ser basicamente com os dilatadores. Claro que na hora de tentar "de verdade" com um homem vai ter aquele nervoso extra, óbvio, mas nessa altura lembrem-se que já vão sentir outra segurança que não sentem agora...trust me ladies!!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais uns detalhes sobre o tratamento

Olá a todos!

Estava agora a fazer um comentário no blog de uma amiga e de repente passaram-me inúmeras coisas pela cabeça, algumas das quais acho que nunca referi aqui antes...Então hoje vou deixar uma espécie de "notas soltas", sem muita conexão, mas que podem ajudar, principalmente àquelas mulheres que estão a fazer terapia e estão a desesperar à espera de verem resultados que demoram mais a aparecer do que gostariam...

Então, antes de mais, devo dizer-vos que não foi nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira consulta (e eu ia às consultas de duas em duas semanas, portanto façam as continhas...) que eu comecei a fazer algum tipo de exercício de teor sexual, e antes desses ainda tive que vir para casa e me ver ao espelho (qual adolescente em plena puberdade...) que, confesso, faziam-me sentir um bocado...sei lá...infantil? É que, quer dizer, já tinha 21/22 anos, não era propriamente uma criança, e sentia-me meia ridicula de estar agora ali a descobrir o meu corpo.

Mas vou fazer uma confissão da qual tenho alguma vergonha, admito... É que, em muito devido ao facto de as minhas (muitas) tentativas de ter penetração frustradas, eu acho que, até começar a terapia, eu realmente não sabia bem onde era lá o buraquito...isto porque para mim parecia-me tudo uma grande parede impenetrável, e então eu pensava "tem que ser mais para a frente, é impossível aquilo ter algum espaço lá dentro, não pode ser ali!!" e então realmente a médica nao estava assim tão "maluca" ao mandar-me para casa, mesmo com 21 anos, "estudar" o meu corpo... Por favor, a quem tenha sentido o mesmo, agradecia que me confessassem aqui (podem pôr um comentário anónimo)...é sempre bom saber que não eramos a única pessoa adulta à face da terra a não ter certezas acerca da localização do nosso...enfim do dito cujo (que eu nunca sei bem como chamar...devia arranjar um nome carinhoso para ele...ideias, alguém tem alguma?? =) ).

Então e o que mais é que eu me tinha lembrado para vos dizer?

Ah, já me lembro. As situações em que a terapeuta manda fazer exercícios dos quais nós duvidamos com todas as nossas forças que vão ter algum efeito no nosso tratamento...

Minhas amigas, eu tive que estar, no consultório e depois em casa várias vezes, durante cinco minutos com os olhos fechados apenas concentrada na minha...perna!! Sim, na minha perna!! Julgo que isto tinha um objectivo do género eu depois conseguir focar na vagina e descontraí-la mas, muito sinceramente, ou depois a médica achou que já nao era necessário continuar com aquilo ou, se teve o efeito que ela pretendia, eu não o percebi bem (até porque, confesso, eu não conseguia estar cinco minutos a pensar na minha perna!!). Cheguei a uma altura em que deixava esses exercícios para fazer quando fossse para a cama, antes de dormir...já estão a imaginar o resultado, não estão? Então para quem não estiver, aconselho este exercício para quem tenha insónias...vão ver como adormecem antes de chegar ao segundo minuto =) (ah não acreditam? então experimentem!! comigo resultava que era uma maravilha...o sono, nao a concentraçao...vocês perceberam :p). E ainda tive que fazer outros exercícios parecidos, do género, contrair diversas partes do corpo seguidas umas às outras...passo a explicar melhor. Era do tipo: fechar os olhos, concentrar-me no meu corpo e começar a concentrar-me no rosto e depois contrai-lo, depois focar numa mão e contraí-la, e assim sucessivamente. Se teve efeito no meu tratamento? Mais uma vez não sei, não faço mesmo ideia, mas mal também não fez, e então lá ia eu fazendo. Mas também chegou a uma altura que eu deixava para fazer na cama, com o mesmo resultado que os anteriores :p.

Mas a ideia que eu quero deixar é que, mesmo que vos pareça que os exercícios nao sao os mais adequados, não devemos esquecer que os terapeutas estiveram anos a estudar para nos ajudar...alguma coisa eles devem ter aprendido, certo? E também, qual é a nossa alternativa em vez de confiar neles? Pois, não é melhor, não, e como tal, o melhor, na minha opinião, é mesmo confiar neles e fazer o que nos mandam...

O facto é que, entre exercícios que me pareceram bem adequados e outros não tão adequados, eu cheguei lá, ao fim de 9 meses. Ainda há um ano olhava para um tampão cheia de medo e agora ando aqui feliz da vida! Por isso nada de desistir das terapias e quem ainda não se decidiu a começar a terapia aconselho que o faça!
Beijos a todas!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Vamos lá então experimentar a minha "grande" (pequena) aquisição...

Olá!
No último post contei que fui comprar um dildo anal para tentar inseri-lo, na vagina (isto para quem eventualmente esteja a ler este post sem ter conhecimento dos restantes), sem acreditar muito que fosse conseguir.
No mesmo dia em que o comprei, cheguei a casa, lavei-o com sabão e água a escaldar, e lá fui para a banheira acompanhada de um gel lubrificante.
Acreditem ou não (bendito gel lubrificante, é que ajuda mesmo MUITO!!)...entrou praticamente todo!! E querem saber qual foi o grau de dor? Do que me recordo, zero! Mesmo! Fiquei tão admirada! Mas é bem feita, para eu (aliás, nós todas!!) aprendermos que somos capazes de mais do que aquilo que julgamos, para acreditarmos nas nossas capacidades para a cura!
Foi um acto completamente mecanizado, nem por um segundo tive intenção de tornar aquele momento prazeroso. O objectivo era mesmo conseguir inserir aquela...coisa dentro de mim. E consegui tirar e pôr, com muita facilidade! Iupi!!!!
E foi tão fácil inserir o dildo, que foi basicamente a primeira e última vez que toquei nele. E daí a uns dias (poucos) lá voltei eu à sex shop. Mas o resto conto-vos numa próxima vez...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A fase do tampão e do dedo (mais informações)

Estava a pensar e lembrei-me que anotava algumas etapas do meu tratamento na minha agenda, embora tivesse que ser com códigos e, portanto, de forma muito discreta, não fosse alguém passar os olhos e deparar-se com expressões do género "introduzir o dedo na vagina", "colocar o tampão", "fazer os exercícios de kegel", enfim!
Mas então, eu comecei as consultas em Outubro de 2008 e, nas anotações de Janeiro de 2009, já tenho as indicações de trabalho para casa de tentar introduzir o tampão. Devo ter começado os exercícios mesmo relacionados com a sexualidade por volta dessa altura. No mês de Janeiro tenho uma anotação a dizer que tentei introduzir o tampão durante dois dias diferentes e que consegui à volta de três centímetros. Em Fevereiro piorou, tentei duas vezes e consegui introduzir (ainda) um pouco menos. Realmente a etapa do tampão foi a mais difícil! Porque foi a primeira introdução de alguma coisa que fiz. Porque a partir do momento que se consegue essa primeira etapa, que é sem dúvida a mais difícil, entramos no esquema e até ficamos entusiasmadas com as próximas etapas. Pelo menos eu delirava quando tinha êxito nas minhas tentativas! Em Março continuei com as tentativas de introduzir o tampão e só em Maio é que consegui pôr todo. Depois dessa vez que pus todo, passou a ser muito fácil.
Portanto, foram cinco meses esta etapa mais difícil, isto também porque eu só tentava mesmo quando estava menstruada. E, nos mesmos vezes em que ia tentar com o tampão, também comecei a tentar introduzir um dedo e, depois, dois.
Digo-vos uma coisa honestamente. Ainda hoje, estando completamente curada, não consigo introduzir dois dedos ao mesmo tempo. Se não estiver excitada ou não puser lubrificante, não consigo mesmo, e não é por estar a contrair.
Portanto, os conselhos mais importantes que vos dou para a fase do tampao e do dedo, para serem bem sucedidas o mais rapidamente possível, é o seguinte: quando puserem o tampão tentem de preferência com aplicador, é porque sem ele é mais difícil de deslizar. Embora eu tenha conseguido a primeira vez sem aplicador mas custa mais. E, quando tentarem introduzir um dedo, ponham bastante lubrificante no dedo e à volta da vagina. Ajuda mesmo muito!
Bem, neste momento acho que já vos contei todas as fases essenciais até à tentativa com os penis de borracha. No próximo post vou-vos contar a minha aventura na sex shop e mais algumas coisas... Até lá!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Os exercícios com o tampão

Como vos disse no último post, não sei bem precisar o que é que comecei a tentar inserir primeiro, se o dedo ou o tampão, mas acho que foi o tampão. Comprei uma caixa de minis, sem aplicador (erro!) e esperei que me viesse o período. Lembro-me bem do primeiro dia em que tentei. Não consegui. Foi muito desconfortável. Doía. Isto, obviamente, porque eu não estava descontraída. Confesso-vos que eu chegava a pensar que não sabia verdadeiramente onde é que era para enfiar o tampão, porque da maneira que era difícil metê-lo, parecia impossível de acreditar que aquele fosse o sítio certo. A propósito desta conversa lembrei-me de mais um pormenor. Às vezes é difícil lembrar-me de todos os passos do tratamento, porque foram muitos, e alguns deles já foram há um ano. Mas antes das tentativas de inserir qualquer coisa, a médica mandou-me observar bem com um espelho como é que era bem "aquilo", para me conhecer melhor a mim própria. Que me lembre, só o tinha feito há alguns anos atrás, na primeira e única vez que tentei pôr um tampão para ir à praia. Claro que não consegui, mas aí pensei que era muito nova e que era super normal, e que muitas raparigas virgens não conseguem. Provavelmente já era o vaginismo, mas eu não fazia a mais pequena ideia, e deixei passar completamente, sem pensar muito no assunto.
Mas então, no dia que tentei pôr o tampão pela primeira vez (durante o tratamento), fi-la na casa de banho, com um espelho (nas primeiras vezes foi sempre com espelho, acho que ajuda) e com uma perna levantada, em cima do tampo da sanita. Meninas, não tentem com tampões sem aplicador. É muito mais difícil. O aplicador desliza que é uma maravilha. Quando vocês descontrairem um bocadinho só não vão sentir nada! Eu não sei se tivesse tentado a primeira vez logo com o aplicador se teria conseguido logo, muito provavelmente não teria conseguido à mesma. Mas não desanimei. De todo. Obviamente fiquei triste. E até tentei com alguma insistência. Mas depois desisti por esse dia. também não vale a pena estar ali horas em sofrimento. Mais vale tentar todos os dias um bocadinho. E, se não foi à segunda, foi à terceira vez que consegui pô-lo, pelo menos metade. Foi uma festa! Fiquei mesmo contente!
As primeiras vezes que consegui era um bocadinho desconfortável, e nas primeiras mesmo nem sempre entrava todo. Mas aos pouquinhos consegui. Em dois meses (porque só tentava quando tinha o período) essa etapa já estava ultrapassada...e rumo à próxima! Ah, só mais um pormenor. Depois de conseguir pôr o tampão todo, a médica disse-me para andar com ele cinco minutos antes de tirar. para nos adaptarmos e percebermos que ter aquilo é a mesma coisa que não ter nada. Mesmo!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Exercícios...muitos exercícios!

Depois de tantos anos a pedir insistentemente nos desejos para o ano novo a minha cura do vaginismo (embora, confesso, a cada ano que passava já acreditava cada vez menos que iria conseguir), eis que este ano esse desejo não vai ser pedido... Lembro-me de ter comentado com a minha tia, na passagem de 2008 para 2009, que pediu sempre a mesma coisa e que ela nunca se concretizava...pois é meninas, eu estava enganada! A cura do vaginismo, afinal, é um objectivo concretizável! E, acreditem nas minhas palavras, às vezes bem mais fácil de concretizar que outras situações com que nos debatemos mas às quais só damos mais importância depois de curar o vaginismo. Isto também porque o ser humano é assim, dominado por uma insatisfação constante. Nós somos assim. Não vale a pena tentar evitar. E eu resolvi o vaginismo, sim, sou uma mulher muito feliz e sinto-me muito realizada por isso, é verdade, mas é também verdade que, desde que ultrapassei esse obstáculo, surgiram outros, e outros, que já existiam, tomaram outra dimensão.
Neste momento um deles é conduzir. Sim, porque eu estou sempre a aconselhar todas as mulheres a fazerem os exercícios para a cura do vaginismo todos os dias se possível, mas eu também devia conduzir todos os dias se possível e não o faço (nem de longe nem de perto).
Isto para dizer que, apesar de não sofrer mais com o vaginismo e às vezes até dar por mim a pensar "caramba, como é que levei tanto tempo para conseguir isto que não é afinal o bicho de sete cabeças como eu me convenci a mim própria?", sei que não é fácil. É bem mais fácil evitar os exercícios do que enfrentar a frustração cada vez que não conseguimos frutos.
Mas ouçam o que vos digo. Se as minhas tentativas de conduzir correrem para o torto, posso bater noutro carro, posso ter prejuízos monetários grandes, e posso até me ferir (que cenário incentivante!!). Se as vossas tentativas de colocar um tampão, ou o dedo, ou um dildo, falharem, sabem o que conseguiram? Conseguiram estar a uma tentativa mais próximas da cura!
E digo-vos de coração: Eu tive receio de começar a pôr tampões, e o dedo, e o dildo...mas não evitei! A sério que não evitei! Tinha mais medo da hora "h" em que teria que tentar mesmo a sério com o meu namorado. Isto porque a vontade de me livrar deste mal era gigante!! E não pensem que as tentativas foram sempre bem sucedidas! Não mesmo! Mas também vos digo outra coisa, e mais uma vez falo-vos com toda a minha sinceridade...custou-me muito mais a começar a inserir um dedo e um tampão, sozinha, dentro de mim, do que me custou o dildo e a penetração com o meu namorado! Juro!! Isto porque o que custa mais é o início! É o conseguirmos relaxar os músculos da vagina para deixar entrar seja o que for. Porque, a partir daí, e nós sabemos que o nosso corpo está feito para sair um bébé de dentro de nós, portanto aí é sempre a evoluir no caminho da cura...
Às vezes tenho receio que os meus posts sejam demasiado longos e eu vos aborreça...Isto porque também me ponho a divagar um pedaço. Mas é mais forte do que eu. Espero não ser muito chata.
Ah, já me ia esquecendo, nunca mais me lembrei disto! E às vezes tenho dificuldades em me lembrar da ordem cronológica pela qual fiz os vários exercícios durante o tratamento. Mas, se não estou em erro, ainda antes de começar a tentar inserir os dedos e os tampões, tive como trabalho de casa fazer os exercícios de kegel. Para quem não sabe, é um exercício físico que tem como objectivo geral fortalecer os músculos da zona da vagina. Como é que são feitos? Contraindo e descontraindo esses músculos várias vezes seguidas (a minha médica disse que para serem bem feitos não podemos estar a contrair ao mesmo tempo nem os músculos na barriga nem o anûs, temos que focar apenas nos músculos vaginais. E tinha que fazê-los à volta de 20 vezes seguidas (se não me engano), todos os dias. De início era para tentar quando fizesse xixi, mas só uma vez ou duas (porque isso não é bom para a bexiga). Isto ajuda-nos a aprender a controlar o músculo que tão teimosamente insistimos em contrair na hora errada.
Por agora vou ficar por aqui, na tentativa de não fazer um post tão longo que ninguém tenha coragem de começar sequer a ler...
Desejo a todas um 2010 marcado pela cura do vaginismo e por muita felicidade!