Venho partilhar da tristeza (se é que posso chamá-la assim) da minha amiga Amor Perfeito por os nossos blogs andarem tão mortinhos ultimamente...e para confirmar se vocês continuam aí (ou se andam mesmo longe) queria pedir a vossa opinião na resposta a esta pergunta:
Será que a mulher vagínica tem uma divida eterna de gratidão para com o homem que foi seu companheiro durante anos, sem nunca a ter traído, e que esperou por ela até que ela, finalmente, se curasse ou, pelo contrário, eles não são nenhuns "super-homens", tendo apenas cumprido o seu "dever" (de ser um companheiro fiel), porque além do mais o amor é muito mais do que sexo?
E, por outro lado, será que o homem que trai a mulher vagínica por esse único motivo ou que acaba o relacionamento por causa disso, é má pessoa?
Confesso que me inclino mais para admirar o homem que espera... Traição não consigo engolir bem...mas desistir da relação também não me parece a pior atitude do mundo...afinal de contas quantas vezes nós já quisemos desistir desta luta contra o vaginismo?? A diferença é que nós não temos para onde fugir...eles têem...
O maior problema nisto tudo ainda está no facto de os homens, regra geral, não nos incentivarem a procurar ajuda nem tentarem nos ajudar (pelo menos o meu foi assim, demasiado cobarde sequer para tocar no assunto, sempre foi um tabu absoluto!). E aí sim torna-se mais grave o facto de virarem as costas.
Duvido muito que alguma relação que envolva uma mulher vagínica nunca tenha tido crises sérias por esse motivo, ou que o homem nunca tenha ponderado ir à sua vidinha...na minha relação aconteceu as duas coisas. A segunda ele nunca me confessou abertamente, mas houve uma altura em que ele perdeu, do nada, o interesse em mim. E a relação foi esfriando cada vez mais. Até que, depois de eu muito insistir, ele confessou que achava que já não me amava...meninas, doeu como uma faca no coração!! Doeu muito!! E, nessa altura, sem eu fazer ainda a mínima ideia que tinha um problema chamado vaginismo, prometi a mim mesma que iamos tentar mais vezes a penetração (deixámos de tentar uns meses depois da primeira tentativa falhada) e que eu ia conseguir! Nem é preciso vos dizer que nem tentativas de penetração houve, quanto mais alguma conquista. Isto foi com 7 anos de relacionamento.
Mas, confesso-vos, uma coisa que sempre me intrigou foi o facto de eu ver mil e um relacionamentos à minha volta a acabarem, por todos os motivos e mais algum, e o meu ia aguentando, apesar das várias crises. Mesmo sem o "verdadeiro" sexo, nós fomos nos aguentando...umas alturas mais firmes, outras nem tanto. E confesso também que quando estávamos em fases más eu tremia só de pensar em ficar sem ele, porque achava que se não me curasse com ele nunca mais ia encontrar alguém que aceitasse a minha condição (eu sei que isto soa a amor interesseiro, mas acreditem que não é, só que era mais forte do que eu esse pavor!). Nessa altura eu também não fazia ideia que, afinal, nós não precisamos de um homem para nos curarmos, por mais estranho que tal pudesse soar ao início.
Quando contei à minha mãe do meu problema, elogiei o F. Ela chegou a dizer que quando há amor é natural que seja assim. Mas eu disse-lhe que não era bem assim. Uma das minhas grandes amigas que sabiam da minha história, disse-me categoricamente que, por mais que tivesse certeza do amor do companheiro por ela, achava que ele não esperaria por ela. Sei de uma história que se conta na minha terra de um casal novo que namora há séculos e que "não fazem sexo" (foi assim que me contaram, com um ar muito escandalizado...) e ela é a única que não sabe que tem um belo par de cornos...
Isto tudo para dizer que, dada a peculiaridade da espécie masculina, tenho que confessar que, por mais defeitos que o F. tenha (e tem vários, como aliás toda a gente!), não consigo deixar de admirá-lo por ter esperado por mim, sem nunca me ter traído (chame-me ingénua quem quiser, mas até prova em contrário eu acredito piamente no que acabei de dizer!). E dou graças a Deus por ter aparecido este homem na minha vida. Se um dia nós nos separarmos, aí eu vou ter certeza absoluta que Deus o colocou na minha vida por dois motivos em especial: para me dar a conhecer uma pessoa que, apesar de às vezes não ser o melhor namorado do mundo, é um ser humano que eu admiro imenso (e isto vai muito mais para além do facto de ele ter esperado por mim) e que não quero perder nunca nem que seja como amigo, e para me ajudar a curar o vaginismo. Porque eu precisava de alguém como ele.
Por isso, a ti, meu amor, que mesmo sabendo da existência deste blog nunca passas por aqui, e mesmo sabendo que não vais ler este texto (aliás, se alguma das meninas chegar ao fim deste testamento já é uma vitória para mim :p), o meu obrigado por me teres ajudado. Não activamente, é verdade, muitas vezes ainda mais cobarde do que eu, também é verdade, com momentos em que não acreditaste que eu um dia iria conseguir, eu sei que isso também é verdade, mas esperaste!E isso eu tenho que te agradecer. A minha primeira vez não podia ter sido com uma pessoa melhor! Obrigada por isso. Amo-te.